quinta-feira, 17 de setembro de 2009

DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS: SÍFILIS

Nomes para uma mesma doença DST, doença sexualmente transmissível, que chegou na América em 1492, junto com a esquadra de Cristovão Colombo e logo se espalhou pelos nativos do Novo Continente. Em 1530, Girolano Frascatoro, poeta e médico Veronês, deu o nome deste mal de um personagem seu: Syphilus. Em 1893, Lorde Randolph consultou seu médico com os seguintes sintomas: dificuldade para falar, tremor na língua, dormência no braço esquerdo, desequilíbrio, apatia, delírio e confusão e seu diagnóstico foi estado avançado de sífilis. Era difícil dizer quem poderia ter ou não a doença antes de 1905, pois foi neste ano que Fritz Schaudinn (foto acima) e Paul Erlich Hoffmann descobriram o Treponema pallidum - uma bactéria fina, espiralada e móvel. Em 1906, August Von Wassermann inventou o exame de sangue, hoje conhecido como Reação de Wassermann para identificar a doença. Não existia tratamento que fosse eficaz contra a sífilis. Ela se resumia em: " uma noite de Vênus e uma vida inteira de Mercúrio", pois este era o tratamento dado para os pacientes, ele servia para ser usado externa e internamente, acarretando em intoxicações por metal pesado e desenvolvendo outros males... O mercúrio foi substituído pelo Arsênico em 1909, outro problemão, por ser muito agressivo e cumulativo no organismo, e não curava a doença. Em 1942, foi descoberto que o Treponema era susceptível a Penicilina e então este passou a ser o remédio para combatê-la. O Treponema pallidum é uma bactéria espiroqueta, espiralada em forma de saca-rolhas, flexível e móvel. É patogênica, contagiosa, de infecção crônica e pode ser cultivada "in vitro". O homem é o único reservatório e ele é transmitido por contato direto (homem-homem), por transfusão de sangue (se este estiver contaminado na fase secundária) e até mesmo é considerado uma doença profissional, pois os profissionais da área de saúde como médicos, enfermeiros e técnicos de laboratório podem por acidente contraí-la. Entre vários sintomas elege-se por fim o sistema cardiovascular e nervoso como de preferência no estágio final da doença. Podemos dizer que sífilis é uma doença cíclica, pois se não tratada, reaparece cada vez mais forte e de difícil tratamento, podendo "sumir" e o doente achar que foi apenas uma "intoxicação". Não tendo tratamento ela evolui para 3 estágios, Sendo o primário de 4 a 6 semanas de duração, aparecendo a partir de 1 mês da contaminação - com cancro sifilítico ou também chamado cancro duro, nos órgãos genitais; O secundário, depois de 1 a 2 semanas da primária, com erupções cutâneas e mucosas com vários distúrbios ou lesões da pele chamadas de sifilíades; O terciário que se estende por 2 anos e até mesmo por décadas, com a ausência do tratamento, leva a sérias complicações, chegando até mesmo a cegueira e a morte.
A sífilis não é uma doença genética, mas sim congênita pois passa da mãe para o feto, durante a gravidez, e é chamada neste caso de contaminação vertical. Para o diagnóstico é preciso consultar um médico logo quando aparecerem os primeiros sintomas. Será feito uma anamnese e exames pedidos para o laboratório: exames sorológicos (FTA-ABS, VDRL, Teste de Fixação do Complemento - Reação de Wassermann, entre outros) e de bacteriologia (Método de Fontana-Tribondeau, Morosov - de Campo Escuro -para facilitar a visualização do Treponema) ou mesmo pelo método de May-Grunwald-Giensa. É uma bactéria que pode ser cultivada em meio que tenha soro. Sendo diagnosticada e confirmado o resultado a penicilina é logo receitada e o tratamento iniciado, acabando com esta dor-de-cabeça e as possíveis transmissões para outros parceiros. Por ser uma doença infecto-contagiosa, de transmissão sexual, hoje em dia ela é tratada como sendo um problema de ordem sanitária, sócio-econômico e cultural, envolvendo várias categorias profissionais da sociedade, como professores, educadores, da área de saúde e toda a comunidade, como também secretarias de saúde. Além de haver a preocupação com a educação sanitária e sexual da população, com exames pré-nupciais e pré-natais para o controle da disseminação dela. É de enorme importância o uso de protetores pessoais: os preservativos. Não existe vacina para a cura da sífilis. Um dia esta doença foi um grande problema sanitário e social e foi feito um esforço mundial muito grande para que ela sumisse do circuito, por ser uma doença séria que acometeu milhares de pessoas nos séculos passados e levando a morte outros tantos. Mas de uns anos para cá, ela se apresenta num aumento progressivo junto com outras doenças sexualmente transmissíveis, principalmente pelo modo de vida dos jovens e pela liberação sexual e métodos contraceptivos que são usados para que este estilo de vida possa ocorrer. Não é justificável, hoje, em pleno século XXI, com tanta informação, a sífilis estar de volta. Não por falta de conhecimento, mas por displicência ("acontece com o outro e não comigo"...) das pessoas que não cuidam de seu próprio corpo.
Fonte:Grande Enciclopédia Larousse, Larousse Cultural; A Assustadora História da Medicina, Richard Gordon, Ed. Prestígio; Procedimentos para a Manipulação de Microorganismos Patogênicos e/ou Recombinantes da FioCruz; Atlas de Microscopia, J. Bernis Mateu, Lial Ed.; Epidemiologia, E, Sounis, Livraria Atheneu, Ed. da Universidade Federal do Paraná.
Maria Célia Amorim

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