Cinco anos depois de ser lançada, consumindo R$ 6,1 milhões e sem produzir nenhum trabalho científico, a Rede Nacional de Pesquisa Científica em Paleontologia foi discretamente declarada extinta pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Sua prestação de contas inclui notas fiscais de "coquetéis, festas e shows". A verba captada pela rede, por meio de uma emenda parlamentar de 2003, foi o maior investimento já feito no Brasil para o estudo da Pré-História. Seu legado, contudo, é modesto: resume-se ao prédio de sua sede (localizado em Peirópolis, distrito da cidade mineira de Uberaba), um sistema de videoconferências, duas caminhonetes e um micro-ônibus. Não há laboratórios funcionando no local, e sua área mais utilizada é o banheiro, aproveitado por crianças que frequentam o vizinho Museu dos Dinossauros, do Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewelyn Ivor Price (sem ligação formal com a rede). Reuniões entre paleontólogos e representantes do MCT e do governo de Minas Gerais estão tentando reformular o espólio da rede e permitir que, em outros moldes, a estrutura em Peirópolis tenha utilidade. Pesquisadores ouvidos pela Folha avaliam que o projeto foi uma oportunidade perdida. A crítica não é nova. Fruto de uma emenda patrocinada pelo deputado federal Nárcio Rodrigues (PSDB-MG), o projeto pegou a comunidade paleontológica de surpresa em 2004. Não houve discussão com os principais grupos de pesquisa do país sobre como e onde aplicar o dinheiro, embora o nome de instituições como a SBP (Sociedade Brasileira de Paleontologia), a USP e a UFRJ tivesse sido usado, sem o conhecimento delas, no projeto que obteve as verbas federais. O Ministério Público só investigará o caso se o MCT rejeitar em definitivo as contas ou se houver alguma "denúncia de um cidadão". A estrutura montada para a rede ficará para a Universidade Federal do Triângulo Mineiro, beneficiando também as atividades do Centro Price, que chegou a enfrentar dificuldades financeiras no ano passado. A foto acima mostra o saguão vazio no interior do edifício da Rede Nacional de Pesquisas em Paleontologia, em Uberaba (MG), que foi enterrada pelo governo. Fonte: Folha de S. Paulo (Autores: Reinaldo José Lopes e Ricardo Mioto)







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