
Desde há muito tempo os índios do Continente da América do Sul, do lado do Oceano Pacífico, em tempos pré-colombianos, já sabiam que o guano existia e que se tratava de um ótimo adubo. Eles usavam-no nas suas terras de cultivo e com ótimos resultados. Passaram-se os anos e então em 1802, o alemão Alexander von Humboldt (1769-1859) que fazia uma grande expedição pela América Latina, entre 1799 e 1804, descobriu o guano e recolheu amostras dele para enviá-las à França para análises. Desta pesquisa resultou o descobrimento do adubo natural e mais complexo que se tinha conhecimento. Seu valor como fertilizante não demorou a ser difundido, fazendo então ocorrer uma corrida aos locais de guano e enriquecendo os primeiros homens que o exploravam. Mas, o que é o guano? É o nome dado aos excrementos, cadáveres e demais resíduos acumulados nos locais habitados por morcegos e aves, sendo o guano o adubo proveniente deste depósito. O guano das aves marinhas, entre elas estão as andorinhas-do-mar, as fragatas, as pardelas, os pelicanos, os pinguins, os corvos-marinhos, as alcatrazes e outras, são deixados em enormes quantidades nos seus habitats; é o guano mais conhecido e formam ilhas nas regiões oceânicas de clima seco, onde não chove.
O guano dos morcegos é encontrado nas cavernas onde eles habitam e em especial nas da Nova Zelândia e dos Estados Unidos, também usado como adubo. Ele é ricamente composto por nitrogênio, sendo 30 vezes mais rico que outros fertilizantes, sendo um adubo orgânico e na sua composição estão o amoníaco, o ácido úrico, o ácido fosfórico, o ácido oxálico, o ácido carbônico, sais e impurezas de terra. Existe em grande quantidade nos atóis mais secos, como o das ilhas Baker e Howland ambas no Equador. O guano é coletado em várias ilhas do Oceano Pacífico, pricipalmente, Peru e Chile; também são importantes os das Ilhas Galápagos, no Equador e no Brasil aparece em ilhas na Bahia, em Fernando de Noronha e no Atol da Rocas. Estas ilhas têm sido habitadas por colônias de aves há séculos e seus excretas vêm sendo acumulados ao longo de vários anos, chegando a formar metros deste material. O guano das ilhas peruanas foi exportado durante o século XIX e início do XX, sendo seu grande produto de exportação, constituindo mais da metade do rendimento nacional. Apenas no período de 1850 a 1870 foram retirados 10 milhões de toneladas de guano de suas ilhas.
Foi graças ao guano que se inaugurou a indústria de adubos/fertilizantes, pois a partir de 1880 ele passou a ser tratado pelo ácido sulfúrico, visando-se com isso fornecer fósforo assimilável pelas plantas. Porém também existe o lado triste desta história, por ser o guano muito procurado e fonte de renda de alguns países, tivemos a exploração acelerada e não programada e estudada, não sendo observado o impacto ambiental e causando irreversíveis prejuízos para a natureza. Por exemplo, desde o fim do século XIX, Nauru que forma um atol com a configuração semelhante a de uma panqueca ou bolacha (pancake atoll) está sendo escavado para a obtenção de seus fosfatos. Se a quantidade de guano for drasticamente reduzida o habitat das aves desta região pode não se recompor até mesmo desaparecer do mapa e também modificar toda uma cadeia alimentar, mas não só nestas ilhas, mas em todas as de guano e modificar todo um ecossistema.
Fonte: Grande Enciclopédia Larousse Cultural, Ed. Nova Cultural; Ciências da Terra e do Universo. Da Geografia á exploração do espaço, Ed. Moderna; Segredos do Mar, O Mundo Fascinante dos Oceanos e das Ilhas, Seleções Reader's Digest; O Planeta Vivo, David Attemborough, Seleções do Reader's Digest (Collins/BBC).
Maria Célia Amorim







gostaria de saber se vc tem uma indicação de bibliografia sobre o assunto, obrigado.
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