domingo, 20 de setembro de 2009

O prejuízo causado pela dependência de substâncias psicoativas

Estava para escrever sobre esse tema já tem algum tempo e devido a sua importância resolvi não esperar mais e será o início de uma série sobre Drogas de Abuso. O Relatório Mundial de 2002 da OMS (Organização Mundial de Saúde) aponta que 8,9% do prejuízo causado por doenças tem origem no uso de substâncias psicoativas. O Tabaco, por exemplo, contribui com 4,1%, o álcool com 4% e as drogas ilícitas com 0,8%, de acordo com levantamento feito em 2000. Uma gama de problemas sociais e de saúde é responsável por levar indivíduos ao uso e a dependência dessa substâncias, incluindo o vírus da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), que se dissemina em muitos países através de drogas injetáveis. Boa parte do trabalho será desenvolvida daqui para frente nesse campo conta com dados da publicação 'Neurociência do Uso e da Dependência de Substâncias Psicoativas da OMS, uma das melhores que tive acesso. O problema é extremamente grave, principalmente, quando analisamos alguns números fornecidos pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC). Estima-se que as drogas movimentam US$ 320 bilhões por ano em todo o mundo. Em 2007, produziu-se 845 toneladas de cocaína, a mais baixa em 5 anos. Cento e 95 toneladas da mesma droga foram confiscadas na Colômbia, que responde por 60% das apreensões de droga na América do Sul. São tudo estimativas, mas calcula-se que o mercado de cocaína movimente hoje no planeta cerca de US$ 50 bilhões. No Brasil, 40% da cocaína apreendida é, na realidade, crack. No mesmo ano entre 143 e 190 milhões de pessoas usaram maconha pelo menos uma vez. Os vários problemas sociais e de saúde comentados há pouco e associados ao uso e dependência dessas substâncias psicoativas ou drogas de abuso merecem uma atenção maior de nossa comunidade internacional de saúde e, é claro, de nossos governantes já que o problema requer respostas rápidas. NO BRASIL, O QUADRO É O SEGUINTE - Apreensões de drogas em toneladas (t) – 2007: CRACK – 578 t; MACONHA – 196 t; HAXIXE – 160 t; COCAÍNA – 17 t (Brasil fica atrás da Venezuela – 32 t e da Bolívia – 18t, mas fica na frente de Peru – 14 t e Chile – 11 t); HEROÍNA – 10 t; LSD – 3.239 unidades; ECSTASY – 210 mil comprimidos (a fabricação e o consumo de drogas sintéticas cresce de maneira assustadora em países em desenvolvimento como o Brasil). Dados do UNODC indicam que entre 16 e 21 milhões de pessoas usaram pelo menos uma vez cocaína em 2007. A maior parte deles está na América do Norte, principalmente, Estados Unidos (5,7 milhões). A estimativa indica que retira-se algo em torno de 41% da produção mundial de cocaína das ruas, sendo que desse total 88% estavam nas Américas e 11% na Europa. O Brasil é o 10º país em apreensões de cocaína, representando 2% do total. Acredita-se que há 890 mil usuários da droga no nosso país. Colômbia e EUA, respectivamente, com 27% e 21%. Outro dado é que 99% dos laboratórios de cocaína estão na Bolívia, no Peru e na Colômbia, os maiores produtores do mundo. Em 2007, foram contadas 7.225 instalações clandestinas nos 3 países. Outro dado estarrecedor é que pelo meno 10% da população mundial usa substâncias psicoativas nos grandes centros urbanos. Outro dado triste dessa estatística é que a cada 3 horas uma pessoa é afastada do trabalho para tratar a dependência química no Brasil. Só em janeiro desse ano, foram concedidas 2.506 licenças por mais de 15 dias. Estima-se que 850 mil usuários de drogas são tratados no Sistema Único de Saúde (SUS).

Fontes: OMS – Organização Mundial de Saúde; Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad); Ministério da Justiça, SENASP – Secretaria Nacional de Segurança Pública; Ministério da Saúde e Polícia Federal.

Ricardo Ferreira

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