

Devido ao caso do pernambucano Marciano Menezes, que sobreviveu a Raiva (ver matéria postada no dia 19/09), por ter sido mordido por um morcego enquanto dormia, resolvi escrever sobre esta doença. É uma doença que mata, com a maior mortalidade entre todas as doenças infecciosas, e ele foi o terceiro caso de cura no mundo e o primeiro no Brasil. Esta doença é uma zoonose (doença de animal) causada pelo vírus da família Rhabdovirinidae, do gênero Lyssavirus, sendo um RNA-vírus, com a forma de uma bala de espingarda. Ela é transmitida ao homem pela saliva de animais infectados como cães, gatos, morcegos e outros, em geral depois da mordida. O vírus penetra pela lesão da pele ou ferida e segue atráves dos nervos até encontrar o Sistema Nervoso Central (SNC), onde se multiplica determinando o quadro clínico. Tudo começa com a mordida ou arranhadura e logo acontece o período de incubação, que pode ser de 10 dias a vários meses, sendo em média de 5 a 6 semanas, nunca sendo menos de 3 semanas e podendo, raramente, chegar a 2 anos. A evolução da doença é rápida e fatal. O vírus se multiplica, inicialmente, no músculo ou tecido conjuntivo na lesão, logo indo para os terminais nervosos locais, depois para os neurônios (células nervosas) até a medula espinhal, depois para o tronco cerebral. Daí vai para toda a massa cinzenta do cérebro. Distribui-se pelos nervos periféricos do resto do corpo, também afetando as glândulas salivares, outros órgãos e o coração.
A raiva tem como sintomas, primeiramente, um comichão no local da mordida, logo após aparecem as náuseas e vômitos, com mal estar e mau humor. Na segunda fase, surgem os espasmos musculares intensos na faringe e laringe com dores para engolir até mesmo a água. Logo surgindo a hidrofobia - aversão a água - e a morte, sendo certa em 100% dos casos. Após a mordida ou arranhadura, o local deve ser lavado com água e sabão e, em seguida, deve-se procurar ajuda médica. Como o início da doença demora, há tempo para proceder desta forma, pois é impossível saber se o animal está infectado ou não e também ser ministrada a vacina no paciente, para ganhos de imunidade. Todos os anos 10 milhões de pessoas recebem vacina após terem sido mordidas por animais. E cerca de 40.000 a 70.000 pessoas não vacinadas morrem. A vacina contra a raiva foi descoberta pelo microbiologista e químico francês Louis Pasteur (1822-1895), com seus estudos com medula de cães raivosos. Ele produziu uma vacina pela atenuação de um vírus isolado, que denominou "vírus das ruas" e depois passou a ser chamado de "vírus fixo". A produção da vacina concretizou-se em 1884. Para o diagnóstico são feitos exames laboratoriais como a imunofluorescência para detectar antígenos deste vírus. É feito a identificação de corpúsculo de Negri (inclusões nas células nervosas do cérebro do animal contaminado), também é feito o isolamento do vírus a partir de saliva ou do LCR (líquido cefalorraquidiano). A inoculação em camundongos brancos do tecido nervoso do animal suspeito, como prova biológica, também é importante, pois o roedor reproduz todos os sintomas da doença, se o resultado for positivo.
Para a profilaxia da doença, deve-se seguir medidas rigorosas, fora a vacinação das pessoas mordidas (vacina anti-rábica), deve-se manter o animal suspeito em observação por 10 dias, não matar o cão, dando-lhe água e comida e observando sua reação. Vacinar cães e gatos anualmente nas campanhas ministradas pelo Ministério da Saúde ou mesmo fora delas, como rsponsabilidade dos donos dos bichinhos, é de suma importância, porque a raiva deste modo pode ser prevenida. Notificar os casos, avisar a vigilância sanitária, investigar os focos, os animais que morderam ou que estejam agindo de forma "diferente" devem ser capturados e examinados e a educação sanitária onde é feita a conscientização da população sobre os riscos desta doença e passadas informações. Também deve ser feito quarentena nos cães admitidos no país. O cuidado para quem trabalha ou estuda cavernas (espeleólogos) deve ser observado, pois este vírus pode ser veiculado pelo ar, onde se acumulam dejetos de morcegos em aerossóis, afetanfo o aparelho respiratório ou mesmo pelo manuseio de animais contaminados nesses locais. Na América Latina, o morcego hematófago é o principal transmissor da raiva para o gado bovino e equino, estimando-se uma perda entre meio e 1 milhão de animais por ano. Os cães quando estão doentes recusam alimentos e tornam-se esquivos à aproximação de pessoas. Depois tornam-se agressivos e procuram morder. Também salivam muito e a baba fica espessa, cambaleiam e não bebem mais água, devido a paralisia dos músculos da mandíbula. Logo em seguida, ficam tristes e até podem estranhar o dono, falecendo em seguida. RECOMENDAÇÕES DA OMS (Organização Mundial da Saúde) - Pág. 154. E. Sounis, Epidemiologia. Para prevenir o aparecimento da raiva humana, a OMS recomenda que a vacina anti-rábica seja aplicada imediatamente depois que se produza a lesão, durante 14 dias consecutivos, pelo menos. No caso de mordeduras mais graves ou múltiplas este período deve estender-se até 21 dias. E para garantir que em todos os casos seja administrada uma dose de reforço aos 10 e 20 ou mais dias depois da última dose diária de vacina. Devemos fazer a nossa parte: cuidando dos animais, do meio ambiente e mantendo a vida saudável.
Fonte: Pelczar, Reid, Chan, Microbilogia, Ed. McGraw Hill; Richard Gordon, A Assustadora História da Medicina, Ed. Prestígio; E. Sounis, Epidemiologia, Livraria Atheneu, Ed. da Universidade do Paraná; Jornal "O Dia", pág. 24 (19/09/2009); Grande Enciclopédia Larousse, Nova Cultural; Procedimentos para a Manipulação de Microorganismos Patogênicos e/ou Recombinantes na FioCruz.Comissão Técnica de Biossegurança da FioCruz (CTBio-FioCruz), Ministério da Saúde.
Maria Célia Amorim







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