quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Epigenética: transferência de características adquiridas em vida



Sabemos que o nosso código genético é uma mistura do DNA dos nossos genitores. Mas, se fosse possível transmitir aos filhos as características adquiridas em vida. E se determinados traumas fossem tão impactantes que pudessem mudar a nossa composição genética e, consequentemente, de nossas gerações futuras. Filhos de mulheres que presenciaram de perto os atentados terroristas de 11 de setembro apresentaram um nível de hormônio ligado ao estresse mais alto do que a média da população. Os cientistas já notaram que crianças nascidas dessas mulheres demonstram mais chance de desenvolver estresse. A ideia que o ambiente pode alterar nossa herança genética não é nova e é conhecida como EPIGENÉTICA. É uma das áreas mais promissoras e intrigantes da ciência. O conceito da epigenética está associado as adaptações que os organismos podem sofrer em suas genes sem que eles tenham seus nucleotídeos alterados, ou seja, eles que dão a receita para o organismo produzir as proteínas que regulam as funções do corpo. Uma marca epigenética é diferente de uma mutação, que é a mudança na sequência das letras ou aminoácidos, ou seja, na essência do gene, que pode ser desencadeada por um fator externo, como exposição a agentes químicos, ou por acidente quando um nucleotídeo desaparece ou é trocado por outro durante o processo de duplicação do genoma. A epigenética é uma mudança na maneira como um gene é “ligado” ou “desligado”, ou seja, a maneira como ele é expressado dentro da célula varia conforme o tipo de tecido. Esse padrão de liga e desliga pode ser alterado devido a fatores ambientais, como poluição, uso de drogas, contato com substâncias tóxicas, deixando uma marca epigenética que é transmitida a cada nova divisão celular no mesmo corpo. Em algumas espécies de animais a herança desses traços através de gerações foi comprovada em laboratório. Em humanos foi observado mecanismo semelhante, mas os cientistas tentam encontrar a comprovação.

Fonte: Revista Galileu, agosto de 2009.
Ricardo Ferreira

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