quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Malária do Sudeste Asiático




A malária ou impaludismo, é uma das doenças parasitárias mais importantes do mundo e que já causou muitos danos a alguns países das regiões subtropicais e tropicais do planeta. Ela é uma doença que é conhecida do homem há muitos anos e se voltarmos no tempo, veremos que a malária nos afeta aproximadamente há 50.000 anos. Hipócrates já descrevia a malária clinicamente. Ela foi uma das doenças que mais afetou o Império Romano, tanto sua população quanto sua economia, levando à sua queda. Mas foi o italiano Giovanni Maria Lancisi (foto à esquerda) que em 1717, notou que os habitantes dos pântanos sofriam mais com a doença que os de outros locais, então deu o nome da doença de malária = males aires, por estar o ar "contaminado". O protozoário Plasmodium só foi descoberto pelo médico francês Charles Louis Alphonse Laveran (dir.), em 1880, que trabalhava na Argélia e que via muitos doentes com os mesmos sintomas, resolvendo pesquisar o que poderia ser. Muito mais tarde, em 1894, Patrick Manson, associou a doença ao mosquito, que foi confirmado em 1899, no sul da Itália, por Bastianelli e Bignami, onde a transmissão da doença era feita de homem para homem (como hospedeiro intermediário) pela picada do mosquito Anopheles (como vetor ou hospedeiro definitivo) e suas várias espécies. A malária que existe no Brasl é causada por 3 espécies de Plasmodium: o P. vivax que causa a Terçã Benigna com acessos de febre a cada 48 horas; o P. falciparum, que causa a Terçã Maligna com acessos de febre a cada 24 ou 30 horas, na qual há uma rápida destruição das hemácias, também chamada de febre de água negra; o P. malariae com acessos de febre a cada 72 horas e chamada de malária quartã. O P. ovale, também chamado de Terçã Benigna, não existe no Brasil, apenas na África. Só que além destes quatro tipos existentes (para o homem) agora os cientistas descobriram mais um agente da doença que está causando grande preocupação no mundo, é o P. knowlesi. Ele surgiu no sudeste da Ásia e pode se alastrar para outras regiões mais rapidamente que as outras espécies e que pode ser facilmente confundido com o malariae em exames clínicos. Este plasmodium só se diferencia por se reproduzir a cada 24 horas, tornando a infecção potencialmente fatal se não for diagnosticada de maneira rápida. A malária tem como característica sintomática a febre, sempre alta, em torno de 40°C, seguida de calafrios intensos e sudorese. Por conta da destruição das hemácias, aparece a anemia normocítica. Paralelamente, ocorre o aumento do fígado e baço. E sempre com recaídas constantes. Pesquisadores da Universidade da Malaysia Sarawak fizeram testes com 150 pacientes internados entre julho de 2006 e janeiro de 2008, com sintomas de malária e como resultado, chegaram a conclusão de que dois terços dos casos tinham contraído a doença pelo P. knowlesi, que a princípio era malária de primatas (macaca mulata, como zoonose) e que agora afetava também o homem. A maioria apresentou sintomas brandos e se curaram, com tratamento certo. Mas só que um entre cada dez desenvolveram complicações e acabaram falecendo. Os cientistas, observando os exames, viram que todos os doentes tinham algo em comum: baixa taxa de plaquetas no hemograma, onde o mínimo é de 150.000/mm³, e viram que isto é um diferencial para o diagnóstico deste tipo de malária. O exame de escolha para malária e que oferece segurança quanto ao resultado, é o da gota espessa, corada pelo método de Giemsa, que deve ser colhido por ocasião do acesso febril. Também são feitos exames de imunofluorescência indireta, hemaglutinação, fixação do complemento e Elisa. Como medidas profiláticas devemos combater os mosquitos anofelídeos com inseticidas, usar cortinados, proteger as casas com telas, uso de repelentes, etc., tratar a água que possa virar um criadouro dos mosquitos, realizar obras de saneamento básico, comunicar os casos existentes a saúde pública e fazer a educação sanitária com campanhas educativas para a população conhecer a doença e fazer a diferença quanto ao combate da mesma. Não existe vacina para tratar a malária e para determinadas circunstâncias, a quinina ainda é o medicamento a ser indicado, entre outros que hoje se aplicam a ela e que quanto mais cedo for tratada melhor é seu resultado. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), as crianças são as principais vítimas da malária, mata 1 milhão de crianças com menos de 5 anos a cada ano. 85% dos casos são crianças, com 91% de mortes na África (a malária mata 1 criança africana a cada 30 segundos e as que sobrevivem a casos severos sofrem danos cerebrais graves e acabam tendo dificuldades de aprendizagem). No Brasil, foram notificadas 549.184 casos em 2006, de acordo com o Ministério da Saúde. A malária mata milhares de pessoas por ano, isto é preocupante e por este motivo considerada a principal parasitose tropical e merece atenção redobrada, com muito carinho, ainda mais agora com a descoberta deste novo tipo que pode ser passado de um continente a outro através de turistas...falta de condições é que não faltam...
Fonte: Painel Med.br; Jornal "O Globo", pág 38, 10/09/2009; Alert: saúde na Internet; Tribuna Médica Press; Jornal da Ciência (SBPC); Pelczar, Reid, Chan, Microbiologia, Mc GrawHill; E. Sounis, Epidemiologia, Livraria Atheneu, Ed. da Universidade Federal do Paraná; J. Gállego Berenguer, Atlas de Parasitologia, LIAL ed.; David Pereira Neves, Parasitologia Humana, Livraria Atheneu.
Maria Célia Amorim

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