quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O CIBERESPAÇO E OS MUSEUS DIGITAIS




Vivemos hoje uma nova era marcada pela linguagem hipermídia e pela presença cada vez mais forte da Internet em nossas vidas e quanto ao registro das manifestações históricas, culturais e sociais, é claro que isso não poderia ficar de fora. Refiro-me a importância cada vez maior dos museus digitais na web e suas relações com a memória social e os testemunhos da herança cultural. O museu tradicional ganha uma nova perspectiva diante das novas tecnologias de informação e comunicação e o mais importante passa a democratizar a acessibilidade a esse tipo de informação, apresentando os seus acervos e exposições, elucidando a memória social, fruto do patrimônio cultural da humanidade, agora visto universalmente, em qualquer lugar a um conjunto muito maior de pessoas. O professor de Ciências da Informação na Universidade Complutense de Madri, Arturo Colorado Castellary, em um artigo na Revista Galileu, comentava, exatamente, sobre isso. Segundo ele, frente ao medo da desumanização que despertam em alguns esse fenômeno, as perspectivas podem ser muito distintas: o patrimônio cultural e sua história estão passando por uma verdadeira renovação graças ao efeito que a linguagem da Internet gera em termos de comunicação e de criação. Os museus tradicionais tiveram que se transformar na era digital. Desde o momento em que os museus se abriram para essa experiência em novos ambientes, os seus espaços foram se transformando dentro de um mundo que exige informações mais velozes e, com isso, passaram a acompanhar a evolução tecnológica e a traçar uma linha de trabalho e desenvolvimento da produção científica em outro tipo de escala e com novas perspectivas. Como exemplo disso podemos citar a informatização dos bancos de dados iconográficos de grandes museus, facilitando o reconhecimento do ciberespaço como caminho natural para uma nova arquitetura e colocando isso na rede para divulgação em larga escala. Que Revolução !

O Professor Castellary afirma que o museu foi uma das primeiras instituições de memória que ousou enfrentar o desafio das tecnologias da informação e comunicação. Nos anos 90, foram numerosos museus, começando com a National Gallery, em Londres, que disponibilizaram seu acervo em várias mídias. Em seguida, outros museus aderiram a essa ideia: Louvre, Prado, Pinacoteca do Vaticano, Instituto de Artes de Chicago, D'Orsay, Hermitage, Thyssen-Bornemisza, publicando seus próprios títulos, explorando a questão da interatividade com o público e na didática audiovisual para difundir as obras que conservam. Um exemplo interessante de resgate dessa história social e de se difundir pela Internet essa experiência é o Museu da Pessoa, que é um museu virtual de histórias de vida aberto à participação gratuita de quem queira compartilhar sua história, com documentos e fotos.

Ricardo Ferreira

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado pela visita. Deixe sua crítica e sugestão para aperfeiçoarmos o blog. Abraços e Volte Sempre.