sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Dengue...Com a chegada do Verão precisamos ficar atentos



Tudo começa com o mosquito, ou melhor, tudo começa com a água parada, tanto faz... Pois é, a dengue é uma doença, entre as 10 mais mortais da História do Planeta, sendo endêmica no Brasil, com surtos epidêmicos em alguns estados. Ela é causada por um Arbovírus do gênero Flavivírus, partículas de 40 a 60 nm, envelopados de simetria icosaedral, com RNA de fita simples de aproximadamente 10 Kb, constituído por 4 espécies ou sorotipos, sendo 1, 2, 3 e 4, transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti e Aedes albopicus, sendo que no Brasil apenas o primeiro aparece como transmissor. É uma doença transmitida ao homem (hospedeiro) pela picada da fêmea do Aedes contaminada, que também é o vetor do vírus e que o macho só se alimenta da seiva das plantas e é inofensivo. Hoje é considerada a arbovirose mais comum que atinge o homem. A primeira vez que se tem registro do aparecimento da dengue no planeta foi em 1927/1928, nas Índias Ocidentais Espanholas. Chegou ao continente americano no final do século XVIII junto com a colonização. Pode-se dizer que atualmente cerca de 100 países apresentam o risco da doença. A OMS estima que surjam de 50 a 100 milhões de casos todos os anos no mundo, o que resulta em 500.000 internações e 20.000 óbitos. As primeiras referências de dengue no Brasil datam de 1865, na cidade de Recife, em Pernambuco; 7 anos depois aparece em Salvador, na Bahia, uma epidemia que fez 2.000 vítimas. Ocorre desde então surtos epidêmicos em vários estados. Em 1981, ocorre a primeira epidemia de dengue em Roraima. Em 1986 no Rio de Janeiro com mais de 50.000 casos para o vírus 1. Em 1990, aconteceu a introdução do vírus 2 no Rio de Janeiro. Em 1998, ocorre uma epidemia com mais de 500.000 casos no país. Em 2000, o vírus 3 foi isolado no Rio de Janeiro e ocorreu nova epidemia, entre 2001 e 2003. Em 2008, ocorre outra epidemia, desta vez, só nos meses de Janeiro e Fevereiro foram notificados 120.570 casos, sendo 647 de febre hemorrágica de dengue, que causou 48 óbitos. O homem só desenvolve imunidade permanente para o tipo de vírus que contraiu, não para todos. Ou seja, a pessoa que contraiu um tipo de dengue qualquer, pode ter a hemorrágica, muito mais perigosa, mesmo tendo tido dengue anteriormente. Após a picada do mosquito, ocorre o período de incubação que pode levar de 3 a 15 dias, o vírus espalha-se pelo sangue causando a viremia. Esta doença começa com febre alta (entre 38° e 40° C), mal estar geral, muito cansaço, dores de cabeça, dores nos olhos, nos músculos e nas articulações, acompanhado de uma erupção papulosa pelo corpo, além de vômitos, diarréia e anorexia. Em muitos casos, o fígado está aumentado de volume (hepatomegalia) e é doloroso à palpação. Depois de 5 a 7 dias, a febre baixa e os sintomas diminuem, restando a fadiga e/ou depressão. A forma hemorrágica pode ser muito grave ou mesmo fatal. Neste caso, após a febre baixar, pode haver sangramentos tanto pela gengiva quanto pelo nariz, hemorragias internas e coagulação intravascular disseminada com danos e enfartes de alguns órgãos. Pode ocorrer por vezes, choque mortal devido às hemorragias. Ocorre petéquias, que são manchas vermelhas na pele e dores agudas nas costas. A febre sempre será o principal sintoma. No Brasil, a dengue é uma doença de notificação obrigatória às autoridades sanitárias. Esta é uma doença que exige rápido atendimento médico, pois se ocorrerem vômitos ou mesmo diarréias fortes, há perda de líquido e é necessário a reposição com urgência de água e de sais minerais para evitar a desidratação. Além de ser recomendado o repouso e alguns medicamentos de indicação médica, para baixar a febre. Não deve-se fazer automedicação. O diagnóstico da dengue é feito clinicamente e por exames laboratoriais, como hemogramas, sorologia e hepatograma. A definição da OMS para a febre hemorrágica da dengue tem sido usada desde 1975 e todos os 4 critérios devem ser preenchidos:
1-Febre;
2-Tendência hemorrágica, com o teste do torniquete (positivo), contusões espontâneas, sangramento da mucosa, vômito de sangue ou diarréia sanguinolenta;
3-Trombocitopenia, que é a diminuição no número de plaquetas (menor que 100.000 plaquetas/mm³, sendo o normal acima de 150.000);
4-Hematócrito maior de 20% do que o esperado.
Ainda não há vacina para a dengue. Como prevenção, devemos fazer o controle do mosquito vetor, que é feito basicamente na fase larvar deste, procura de focos. Como o Aedes coloca seus ovos em água parada, é preciso ficar atento para que a água não se acumule em possíveis criadouros como pneus abandonados, pratinhos de vasos de plantas, latas, garrafas e tantos outros. Além disso é necessário observar os reservatórios de água, como cisternas ou caixas de água, mantendo-os tampados. Pode-se combater o mosquito com larvicidas ou inseticidas para os adultos; o uso de janelas teladas e repelentes também é recomendado. A saúde da população depende da ação de todos, da observação em não deixar aparecerem criadouros novos, do acúmulo de lixo com objetos que possam a vir a ser possíveis pocinhas de água. Conhecendo e aplicando seus conhecimentos. Essa doença não acontece só com o vizinho, o mosquito pode trazer de lá para a sua casa...

Fontes: Grande Enciclopédia Larousse Cultural, Nova Cultural; Geografia do Brasil. Aspectos físicos, econômicos e sociais, Ed. Moderna; Procedimentos para a Manipulação de Microorganismos Patogênicos e/ou Recombinantes na FioCruz, Ed. FioCruz; A Vida na Terra, Fernando Gewandsznajder, Ed. Ática; combateadengue.com.br; saúde.gov.br

Maria Celia Amorim

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