Centro do Rio às escuras / Foto: André Mourão / Agência O DiaEstava me segurando para não falar sobre o apagão que atingiu 18 estados, mas depois da entrevista do Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, de querer colocar a culpa em São Pedro, aí foi demais. O caos que começou no final da noite desta terça-feira e bagunçou a vida de muita gente ainda no início da manhã desta quarta-feira não podia ficar sem um comentário. O Ministro afirmou que os órgãos responsáveis pelo setor de energia no país (O.N.S., Furnas e Aneel) concluíram que o apagão foi causado por “descargas atmosféricas, ventos e chuvas muito fortes”, que ocorreram na região de Itaberá, em São Paulo. Essa conjunção de fatores teria, segundo o Ministro, provocado um “curto circuito” em três sistemas. Logo, em seguida, ele não perde tempo e solta a seguinte pérola: "O país vai continuar crescendo. Este foi um episódio que, Deus queira, não ocorrerá mais ". Passei o dia ouvindo em emissoras de rádio e de TV especialistas que acharam um absurdo essa tese de que essas teriam sido as causas do apagão. O sistema conta como sempre contou com dispositivos para aterrar esses raios, pois caso contrário o país viveria, constantemente, esses apagões, já que o Brasil concentra em algumas áreas muitas descargas elétricas. Então, essa hipótese, no mínimo, afronta um pouco a nossa inteligência. Outros especialistas salientaram que o país não faz mais investimentos em infra-estrutura como a construção de linhas de transmissão e na área de segurança, tanto em relação aos softwares como em desenvolver planos B,C,D.E, F, ou, quantos quisermos para salvaguardar o sistema em momentos como esse. Quando um sistema falha outro precisa entrar em operação. Isso é básico. A explicação técnica é de que o apagão ocorreu com o desligamento de três linhas de transmissão de energia. Duas das linhas ligam Ivaiporã, na região central do Paraná, a Itaberá, na região sul de São Paulo. A outra liga Itaberá a Tijuco Preto (São Paulo). Representantes da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) criticaram a postura do governo, dizendo que os investimentos no setor caíram vertiginosamente nos últimos anos chegando hoje a R$ 3 bi. Sem contar que situações como essa colocam em total vulnerabilidade o nosso parque industrial. O momento vale uma reflexão. Itaipu Binacional responde hoje por algo em torno de 14 a 20% da energia produzida no país e apesar do sistema ser interligado, isso não adiantou nada. Boa parte do país ficou às escuras. Acredito que seja o momento para as nossas autoridades repensarem o modelo de matriz energética que precisamos e que seja, realmente, eficiente e a necessidade de que temos de possuir fontes alternativas de energia como já foi comentado nesse blog. Resta saber quanto tempo e mais quantos apagões serão necessários para que caia a ficha. O que aconteceu é lamentável e um desrespeito aos brasileiros que pagam suas contas em dia e arcam com uma forte carga tributária, esperando que o governo faça, no mínimo, investimentos que lhe assegurem pelo menos um retorno tranquilo aos seus lares, como se já não bastasse a violência nas grandes cidades.
Ricardo Ferreira







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