
Achei bem interessante a matéria "Lições dos Maias - 05/12/2009 - O Globo, Caderno de Ciência, p. 44 - Renato Grandelle", sobre como podemos aprender com as civilizações antigas que foram varridas, possivelmente, em função do desquilíbrio ambiental e que de uma certa forma isso pode se constituir em um importante alerta sobre a ameaça climática, a fim de não cometermos os mesmos erros. Mudanças climáticas muito menores e mais localizadas do que as que ameaçam o mundo agora já varreram culturas do mapa outras vezes no passado. Acreditasse que a falta de capacidade de enfrentar desequilíbrios ambientais tenha sido fator determinante para o declínio da civilização Maia. Coordenador do Laboratório de História e Ecologia da UFRJ, José Augusto Pádua, explica que povos que já estavam no limite simplesmente não conseguiram enfrentar alterações em seu mundo. O clima não os eliminou de uma só vez, mas foi fator determinante num processo de declínio. Quando os espanhóis chegaram, por exemplo, os maias já não eram mais uma civilização poderosa, mas uma cultura fragmentada, sequer uma sombra de seu passado. Estudos indicam que um violento 'El Niño' teria sido o golpe final numa civilização que já havia esgotado a maioria dos recursos naturais que propiciaram seu desenvolvimento. A civilização maia foi a mais avançada da América pré-colombiana e no seu auge chegou a ter mais de 40 cidades espalhadas numa região que hoje inclui a península de Yucatán, um pedaço do estado de Chiapas, no México, e partes de Belize, Guatemala e Honduras. Uma área de cerca de 325 mil quilômetros quadrados, o que equivale, mais ou menos, ao tamanho do estado do Maranhão. Nesse período, entre os séculos 3 e 9, os maias dominavam a astronomia, a matemática, a escrita, norteavam-se por um preciso sistema de calendários e eram sofisticados construtores. Formavam a civilização de tecnologia mais avançada do mundo, à frente das maiores potências européias. Por volta do século 9, no entanto, os maias experimentaram um colapso súbito. Os centros urbanos densamente povoados foram abandonados e a civilização, da forma como até então era conhecida, simplesmente desapareceu. Os maias desenvolveram refinada astronomia, um calendário de 365 dias, escrita por hieróglifos e um sistema matemático. Mas isso não foi suficiente para que sobrevivessem como cultura. Foram vítimas da destruição da floresta e de um crescimento demasiado da população. O El Niño teria sido a gota d'água. A concepção de uma cidade maia é parecida com a de hoje: existiam espaços livres, bairros com estradas entre eles e sistema de captação de água - conta Alexandre Navarro, da Universidade Federal do Maranhão, que estuda a cultura maia. "O desmatamento, porém, foi intenso. Não havia casas em meio à floresta tropical, porque a mata foi totalmente devastada. As florestas que hoje cercam os sítios arqueológicos maias são secundárias, não foi a floresta conhecida por aquela civilização", afirma o pesquisador. Amostras de pólen datadas por cientistas revelam que, no período final dos maias, dos anos 600 a 850, a quantidade de árvores na região era praticamente nula. Neste período, segundo Navarro, a temperatura da região aumentou até 4 graus Celsius. O último registro conhecido daquela civilização é de 909. À época, diversas cidades já tinham sido abandonadas. "Só conseguiram sobreviver por mais tempo as cidades próximas aos lagos, que lidaram em melhores condições com a seca e estavam integradas a uma rota de comércio a longa distância", assinala o pesquisador. "Mas até os lagos ficaram esgotados, assim como o solo, graças à prática de queimadas na agricultura".
Fontes: "Lições dos Maias - Renato Grandelle - O Globo, 05/12/2009, Caderno de Ciência, p. 44, com colaboração de Graça Magalhães-Ruether, de Berlim; e "O Destino dos Maias", Lia Hama,
Ricardo Ferreira







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