segunda-feira, 29 de março de 2010

Tricomoníase


Esta doença é causada pelo protozoário flagelado Trichomonas vaginalis (nas fotos). Ele possui 4 flagelos desiguais e uma membrana ondulante que lhe dá mobilidade e também possui um axóstilo. Existe em apenas uma única forma a de trofozoíto, que é infeccioso e ativo. Por só haver esta forma, não há forma cística, o contágio acontece apenas diretamente. É considerada uma DST (doença sexualmente transmissível) e ocorre apenas na espécie humana e está em todo o planeta. A tricomoníase foi descoberta por Donné em 1836, quando ele isolou o protozoário de uma mulher com vaginite. Em 1894, Marchand e Miura, também relataram o tricomonas em suas pesquisas e mais tarde, em 1896, Dock, observou o flagelado numa uretrite de um homem.
Hoje, segundo a OMS, há 170 milhões de infecções pelo T. vaginalis por ano, em pessoas entre 15 e 49 anos, pessoas sexualmente ativas, sendo que 92% são mulheres. Nos países menos desenvolvidos, 5% dos homens e 15% das mulheres são portadores. Pode-se dizer também que é uma doença responsável por cerca de 10 a 15% dos corrimentos vaginais. Este protozoário vive no trato genitourinário do ser humano e sua transmissão ocorre principalmente pelo contato sexual, sendo uma doença venérea. Pode-se contraí-la também por fômites (roupas íntimas compartilhadas), sanitários contaminados, roupas de banho ou de cama e até mesmo pelo material ginecológico mal-esterilizado, ocorre também a transmissão da mãe para o filho na hora do nascimento e mesmo em água de banho de uso seguido por várias pessoas. Este protozoo resiste a várias horas dentro d'água. Os sintomas quando aparecem, já indicam alto grau de contaminação, pois às vezes é assintomático, nas mulheres de 20 a 50% são assintomáticas. A maioria dos homens não apresenta sintomas e quando ele aparece já está ocorrendo uma irritação na ponta do pênis ou na uretra. Nas mulheres ocorre um intenso prurido (coceira) vaginal com corrimento mal cheiroso e com fluído de cor branco amarelada. Ao urinar causa dor (disúria) e ocorre aumento no espaço entre as micções (policiúria) e passando a ser uma doença de leve estágio até ao grave. O diagnóstico é feito clinicamente ou por exames laboratoriais que confirmem a presença do protozoário. Pode ser feito em urina, a primeira do dia, para ser examinado o sedimento, também pode ser colhida a secreção e feito esfregaço em lâminas, hemaglutinação direta, imunofluorescência (foto 2) ou mesmo cultivo em meios apropriados. Por ser uma doença venérea, é recomendado o uso de preservativos para o ato sexual, tratar dos portadores, os casais contaminados, ser feita a higiene pessoal, de roupas de cama e de banho, não partilhar água de banho de bacias ou banheiras, atentar para o uso de sanitários públicos e esterilizar todo o material ginecológico conforme as técnicas, além de não se dividir roupas. É importante também ressaltar a educação sanitária para que a população tome conhecimento dos hábitos de higiene que devem ser tomados e conhecer a doença para não se contaminar. Esta é uma doença tratável e tem cura, porém tomando-se os devidos cuidados para não haver reincidência e voltar a ficar doente.

Fontes: Grande Enciclopédia Larousse Cultural, Nova Cultural; Atlas de Parasitologia, J. Gállego Berenguer, Livro IberoAmericano, LTDA; Nosso Corpo, Fernando Gewandsznajder, Ed. Ática; Epidemiologia, E. Sounis, Livraria Atheneu, Ed. Universidade Federal do Paraná; Parasitologia Humana, David Pereira Neves, Livraria Atheneu; Enciclopédia Familiar da Saúde, Ed. Clube Internacional do Livro.

Maria Célia Amorim

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado pela visita. Deixe sua crítica e sugestão para aperfeiçoarmos o blog. Abraços e Volte Sempre.