quinta-feira, 24 de março de 2011

Parte do gelo da Antártica se forma em sua base


Uma parte do manto de gelo da Antártica é formado pela água congelando novamente em sua base, não apenas pela neve que cai no topo como acreditavam até o momento os cientistas. As descobertas, descritas em um estudo publicado na revista Science, dia 4, devem ajudar na projeção dos efeitos das mudanças climáticas. Pesquisadores relataram na edição desta semana do periódico científico Science que a base da camada de gelo no leste da Antártida é formada por cerca de 24% de água recongelada. "As fatias de gelo não são estruturas simples como camadas de bolo. A água se move debaixo do manto de gelo e o deforma", explicou Robin Bell, do Observatório Lamont-Doherty, na Universidade de Columbia. A descoberta indica que a água que se desloca por vales de antigos rios, coberta por mais de 1 quilômetro de gelo, pode alterar a estrutura básica do manto. Mantos são estruturas de gelo que cobrem áreas de mais de 50 000 km². Além da Antártica, a Groenlândia tem um manto. Estruturas menores são chamadas de calotas. Embora a água seja reconhecida há tempos como importante para a dinâmica de um manto de gelo - especialmente como lubrificante, o novo estudo revela que a água basal pode modificar drasticamente essas estruturas. Como se estima que as mudanças climáticas globais estejam afetando as estruturas geladas na Antártica, cientistas precisam entender como os mantos são formados de modo a poder avaliar com exatidão de que forma eles serão alterados. Entender como o gelo se move é essencial para encontrar respostas para as mudanças climáticas, dizem os pesquisadores. A temperatura do planeta tem se elevado no último século e os impactos são notados primeiro vez nos pólos. Os testemunhos, longos cilindros de gelo retirado das geleiras, são frequentemente usados para estudar o clima do passado. O estudo é parte de um projeto conduzido por sete países com o objetivo de estudar uma das partes mais remotas na Antártica, conhecida como domo A . Mantos de gelo crescem quando a neve que cai se acumula mais rapidamente do que desaparece, durante longos períodos de tempo, promovendo o engrossamento da estrutura e sua amplificação lateral. Mas, de acordo com o novo estudo, não é apenas assim. Os cientistas verificaram que uma grande parte do gelo no domo A se acumulou pelo congelamento da água na parte de baixo do manto, em vez de por meio do acúmulo de neve na superfície. Ou seja, foi um crescimento de cima para baixo, diferentemente do que se acreditava. Segundo a pesquisa, esse processo ocorre quando a água acumulada no fundo do manto é esfriada por convecção ou quando a água que passa por paredes de vales estreitos é resfriada, alterando as estruturas térmicas e cristalizadas da coluna de gelo bem como a topografia da superfície do manto de gelo. Bell sugere que o processo de recongelamento "pode empurrar o gelo antigo para perto da superfície e torná-lo mais fácil de ser encontrado". No entanto, Jeff Severinghaus, geólogo da Instituto Scripps que não participou do estudo, disse que a descoberta poderia significar que o gelo mais velho é melhor preservado ou ainda que a descoberta torna mais difícil interpretar o registro do clima, “caso [o gelo] seja algo que possa ser embaralhado feito cartas".
Foto 1: Bell et al/Divulgação; Imagem de radar mostra camada de gelo com água congelada novamente na base
Foto 2: Michel Stundiger/AGAP/Divulgação

Fonte: estadao.com.br; Último Segundo.


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