sexta-feira, 15 de abril de 2011

Falta de alimento ameaça pinguins da Antártica




Os pinguins jovens da Antártica estariam morrendo por causa de dificuldades para encontrar alimento, já que o derretimento do gelo afasta os pequenos peixes que comem, eles estão sob pressão por causa dos efeitos do aquecimento na região, que reduziu os cardumes de krill, um crustáceo que é o seu principal alimento, informaram cientistas americanos. Só cerca de 10% dos bebês pinguins etiquetados estão retornando, de dois a quatro anos, para reproduzirem-se, quando nos anos 70 essa cifra chega a entre 40% e 50%, assinala o estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Os pinguins antárticos (Pygoscelis antarctica) foto 1, conhecidos por suas marcas na cabeça semelhantes a um gorro e a linha preta no pescoço, são o segundo maior grupo na região, depois dos pinguins-de-testa-amarela (Eudyptes chrysolophus) foto 2, e correm risco particular, uma vez que sua população se restringe a uma só área, as Ilhas Shetland do Sul (entre a Península Antártica e Ushuaia, no extremo sul da Argentina). A temperatura mediana no inverno nessa área subiu quase 6 graus Celsius desde meados do século 20, enquanto a elevação média mundial foi inferior a 1 grau Celsius. "É uma mudança dramática", disse à AFP Wayne Trivelpiece, da Divisão de Investigação do Ecossistema Antártico da Administração Nacional Atmosférica e de Oceanos (NOAA). "Ainda há entre dois e três milhões de casais de 'pinguins de barbicha' nesta região, mas havia entre sete e oito milhões duas décadas atrás", assinalou. O estudo, de 30 anos, inclui os pinguins Adelie (Pygoscelis adeliae) foto 3, na Antártica ocidental e acompanhou a evolução do krill - pequenos crustáceos parecidos aos camarões, presentes fundamentalmente na cadeia alimentar de baleias, focas e pinguins. Os pinguins jovens não são mais capazes de fazer nada parecido com o que conseguiam antes, e parece que isso está diretamente relacionado ao fato de que há 80% menos krill por lá atualmente. Inicialmente, os cientistas imaginaram que pelo menos uma das espécies afetadas poderia se beneficiar da mudança climática, já que os pinguins de Adélia adoram o gelo, enquanto os de barbicha o evitam. Mas a nova pesquisa sugere que a sobrevivência dos pinguins está menos associada à degradação do seu habitat, que também está em curso e mais à degradação do habitat do krill. Esse crustáceo se alimenta de fitoplâncton, algas geladas, basicamente, que se proliferam nas laterais de blocos de gelo. Os camarõezinhos são especialmente adaptados para se alimentarem de pequenas plantas entre os cristais de gelo. Nas últimas décadas, porém, o gelo tem se formado mais tardiamente a cada ano, abrange uma área menor, e derrete mais cedo. Sem gelo, o krill tem problemas para se alimentar, e sua população diminui. O estudo foi parcialmente financiado pelo Programa Oceânico Lenfest, que apoia pesquisas no ambiente marinho global.


Fontes: Último Segundo; estadao.com.br; G1.

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