terça-feira, 19 de abril de 2011

Peixe evolui e se adapta a rio poluído nos Estados Unidos


Um artigo publicado pela “Science” mostrou que uma espécie de peixe conseguiu não só sobreviver, mas também se desenvolver nas águas poluídas do Rio Hudson, em Nova York. Por 30 anos, de 1947 a 1976, duas fábricas de uma multinacional norte-americana jogaram um total estimado de 600 mil quilos de bifenilas policloradas (PCB), compostos considerados alguns dos poluentes com maior biotoxicidade e causador de cancer, no rio Hudson, em Nova York. contaminando e devastando populações de peixes. Cerca de 50 anos depois, pesquisadores da Universidade de Nova York (NYU) e do Instituto Oceanográfico Woods Hole (WHOI) detectaram uma mudança evolutiva que levou o Microgadus tomcod, um parente menor do bacalhau, a uma resistência ao PCB.O surpreendente é que o peixe não desapareceu da área afetada, mas se proliferou a ponto de hoje ser encontrado em grandes populações, o motivo é que o excesso de PCB induziu a um tipo de mutação que levou o peixe a evoluir para poder resistir à grande quantidade de toxinas presente na água. Anteriormente, já haviam sido percebidas adaptações de insetos a inseticidas e de bactérias a antibióticos. Contudo, “esta é a primeira demonstração de um mecanismo de resistência em qualquer população vertebrada”, afirmou Isaac Wirgin, um dos autores do estudo. A descoberta é “um exemplo de como as atividades humanas podem provocar a evolução ao introduzir fatores de estresse no meio ambiente”, segundo a bióloga Diana Franks, que colaborou na pesquisa. A alteração genética foi percebida por meio da análise do gene AHR2, um método comum de controlar a sensibilidade aos PCB’s. Como Wirgin e seus colegas sabiam que o receptor de arilhidrocarbono (AHR2) regula os efeitos tóxicos do PCB em peixes, eles analisaram exemplares do M. tomcod para observar de que forma o receptor havia sido afetado. O grupo verificou que esses peixes do rio Hudson e de áreas próximas tinham quatro mutações distintas no gene AHR2 que não eram comuns em outras populações da mesma espécie em áreas não contaminadas. Segundo os pesquisadores, essas mutações parecem prejudicar a capacidade do AHR2 se ligar a certas substâncias tóxicas presentes na água. Os cientistas sugerem que os peixes no rio Hudson passaram por uma rápida evolução, alterando o AHR2 em um período curto de tempo, de modo a desenvolver resistência aos PCBs que infestaram seu habitat. Embora o peixe tenha superado a poluição no rio, o resultado não foi tão bom para seus predadores ou para o homem. "O M. tomcod sobreviveu, mas ele ainda acumula PCB em seu corpo e passa a substância para qualquer outro que o coma", disse Mark Hahm, da Instituição Oceanográfica Woods Hole, outro autor do estudo. Ou seja, apesar de o peixe ter resistido e proliferado, a pesca está fora de questão. Dois dos 1.104 aminoácidos normalmente encontrados nas proteínas desse gene aparentemente sumiram nos espécimes que vivem na região. A mudança provoca espanto por se tratar de algo muito rápido, a poluição do rio com esse composto químico começou a cerca de cem anos. “Qualquer mudança evolucionária nesse ritmo não pode ser uma coisa boa”, afirmou Wirgin, que disse ainda que o peixe deve precisar se readaptar caso o rio seja limpo. Os cientistas fazem ainda o alerta de que a adaptação terá impacto na cadeia alimentar. “O peixe sobrevive, mas ainda acumula PCB’s no corpo e passa para frente, para quem quer que o coma”, apontou Mark Hahn, outro colaborador. Ele serve de alimento para peixes maiores e, consequentemente, os poluentes podem até ser consumidos por seres humanos. Foto: Os peixes 'Microgadus tomcod' estudados em NY.


Fontes: G1; estadao.com.br.

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