quarta-feira, 25 de maio de 2011

O Paizão



Quem costuma observar os peixes que vêm junto com o arrasto de camarão nas praias do sudeste do Brasil volta e meia encontra curiosidades e bichos bem esquisitos. Um deles, bastante comum, é o mangangá-liso (Porichthys porosissimus), que prega verdadeiros sustos nos pescadores de beira de praia. Com boca enorme e muito bem provida de dentes, ele fica nos fundos de areia ou lodo, imóvel e só com os olhos de fora, na expectativa de abocanhar peixinhos, caranguejos e camarões mais distraídos. Além dos dentes afiados, este peixe possui ainda um grande espinho aguçado por trás de cada lado da cabeça, que podem causar ferimentos sérios para quem o pegar incorretamente. E o danado vive por mais de meia hora fora da água. Este bicho interessante, capaz de emitir roncos sonoros, tem ainda várias séries de poros luminosos nos flancos e na parte inferior do corpo, chamados de fotóforos, que brilham no escuro. Mas, se esse “feioso” demanda cuidados por parte dos pescadores, quando se trata de cuidar dos filhotes, não tem igual. Durante o verão, os casais deixam os fundos lodosos e saem em busca de uma boa toca entre as pedras do recife ou do costão rochoso. Ali, fazem um ninho onde a fêmea deposita dezenas de ovos e vai embora, deixando o maridão sozinho. É que cabe ao macho zelar pela prole, desde o nascimento dos filhotinhos até o momento em que eles, já maiorzinhos e idênticos aos pais, vão viver por conta própria. Não se sabe bem com que idade isso acontece, mas até lá, o macho não só fica de olho em qualquer um que se aventurar por perto, atacando para valer quando ameaçado, como nem mesmo se alimenta direito.O mangangá-liso vive entre 5 e 200 metros de profundidade, do nordeste brasileiro até o leste da Argentina, e pode chegar a uns 35 centímetros de comprimento. É chamado por vários nomes: aniquim-de-areia, bacalhau, bagre-sapo, magangá, mamangava, mangangá, monaguaba, niquim, peixe-fosforescente, peixe-sapo e piramangaba. Muitas outras espécies parecidas, da família Batrachoididae, ocorrem nos mares do mundo, ao menos 15 delas em águas brasileiras. Embora o mangangá-liso não seja peçonhento, outras espécies parecidas são capazes de injetar veneno potente por seus espinhos dorsais, o que mais do que justifica o cuidado dos pescadores.
Fonte: Rede Ambiente

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