domingo, 8 de maio de 2011

Peixes das Profundezas




O ambiente do mar profundo – a partir dos quatro mil metros de profundidade – é totalmente hostil a seres humanos e não é surpresa que seja o ambiente menos explorado da Terra. Até início dos anos 70, pensava-se que não poderia existir vida abaixo dos mil metros. O frio, a ausência de luz e a pressão quase inimaginável – entre 20 e mil atmosferas – serviriam como fatores limitantes. Quando finalmente desenvolvemos tecnologia o suficiente para descer até as profundezas, fomos surpreendidos por algumas das mais fascinantes formas de vida já vistas: os peixes abissais. O habitante mais comum da zona abissal é, de longe, o peixe-lanterna. Em geral, eles têm entre 2 e 30 centímetros e receberam este nome por causa de sua capacidade de bioluminescência: suas escamas emitem um fraco brilho azul, verde ou amarelo. Bioluminescência, na verdade, é uma característica bastante comum entre peixes abissais. A luz é produzida por um órgão chamado fotóforo. Num ecossistema que o brilho solar não alcança, serve para atrair tanto presas como parceiros na época da reprodução. O peixe diabo negro ficou famoso por esta característica – ele balança uma falsa isca bioluminescente na frente da cabeça, capturando a presa quando esta se aproxima. Outra característica comum entre os peixes abissais é a boca, sempre proporcionalmente grande, como é extremamente evidente no Photostomias guernei (o nome em português ainda não foi definido. Em inglês, ele se chama peixe-holofote). Esta foi uma adaptação importante num ambiente onde a comida é escassa e nunca se sabe quando será a próxima refeição. Na verdade, muitos dos habitantes das profundezas dependem de animais mortos que afundam até seu habitat, o que é raro. Então, quanto mais e mais depressa puderem comer, melhor. No entanto, os peixes não são os únicos habitantes do mar profundo. A fascinante lula-gigante foi considerada um mito durante muito tempo e é uma das inspirações para o kraken, rei dos mares da cultura nórdica. Imaginava-se que deviam existir devido a enormes marcas de tentáculos que apareciam, por vezes, em cachalotes. Apenas em 2004 foi encontrado um exemplar vivo, com 8 metros, em mares japoneses. A lula-gigante é dona dos maiores olhos da natureza, com 30 cm de diâmetro – mais uma adaptação importante para viver num local em que a luz é escassa. Estes são apenas alguns dos espécimes conhecidos, que com certeza representam uma fração pequena de todos os que existem. Ainda há muito a explorar no fundo do mar – enquanto procuramos vida fora da Terra, verdadeiros aliens habitam o fundo dos oceanos...
Foto 1: O peixe-lanterna
Foto 2: Photostomias guernei: o peixe-holofote
Foto 3: A primeira foto divulgada de uma lula-gigante viva.


Fonte: Rede Ambiente

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