sexta-feira, 8 de julho de 2011

Da Série Criminologia: Os Psicopatas Estelionatários




Mentir é uma habilidade de todo psicopata, mas para o americano Anthony Owens é um talento especial. Em 2002, após conhecer Gwen Robinson no Texas e de lhe propor casamento, o criminoso partiu para o Mississipi para pedir aos pais a sua mão em casamento. A família se encantou com aquele homem de voz suave e de sorriso confiante que se apresentou como um pastor. Meses depois da festa de casamento, Gwen descobriu que Owens era casado com outras 7 mulheres, sem se divorciar de nenhuma. Ele as seduzia e depois as deixava sem um tostão. Uma delas perdeu cinco carros e uma casa. Outra teve problemas na justiça por causa dos cheques sem fundo que ele emitiu em seu nome. Disfarçados de profissionais como advogados, pastores, médicos, eles enganam as vítimas para conseguir vantagens econômicas de forma ilícita e fazem da mentira uma ferramenta de trabalho. De acordo com o psicólogo americano Paul Babiak, autor do livro ‘Snake in Suits – When Psychopaths Go To Work – Cobras de Terno: quando os psicopatas saem para trabalhar’, “o psicopata se vê como autor, diretor e protagonista da encenação que é sua vida. As outras pessoas só existem para atuar nos papéis de apoio que escolhe para elas”. Poucos neurologistas argentinos tiveram tanta reputação como Guillermo Assaneo. Ele publicou estudos, organizou congressos e até exerceu cargos de chefia no Hospital Rivadavia, em Buenos Aires. Só havia um detalhe. Ele dava receitas sem nome e nem número de matrícula e havia cursado apenas algumas matérias. Em 1998, após fingir que era médico por 17 anos, Assaneo foi preso por exercício ilegal da Medicina. “Ele era brilhante, parecia ser realmente um médico”, diziam pessoas que o conheceram.  Estes psicopatas dominam o jargão da carreira que escolheram, convencendo a todos. Como a mesma desenvoltura de Assaneo, o brasileiro Alessandro Marques Gonçalves falava de articulações. Formado em Direito, ele clonou documentos de um médico e trabalhou como ortopedista em pelo menos dez hospitais de Minas Gerais e São Paulo. Deixou mais de 20 aleijados até ser desmascarado em 2006. Nesse mesmo ano, 30 falsos médicos foram flagrados atuando no estado de São Paulo, quase que o dobro em 2005. Na época o Cremesp, Conselho Regional de Medicina de São Paulo, chegou a dizer que havia uma “epidemia” de falsos médicos. Hoje, o site da entidade mostra o nome, CRM e foto dos médicos e, com isso, conseguiu diminuir bastante o número de fraudadores. O americano John Grambling Jr. embolsou mais de US$ 20 milhões de bancos nos anos 80. É preciso muita ingenuidade para emprestar tanto dinheiro para uma pessoa sem ter garantias, mas os gerentes se convenceram de que o refinado cliente era uma pessoa de confiança. Ele os enganou com charme e falsas declarações de bens, pagando um empréstimo enquanto fazia outros. Faz sentido: os psicopatas de colarinho branco são mais difíceis de pegar, pois costumam agir com o aval da própria sociedade e quando são desmascarados já é tarde demais e o estrago está feito e o criminoso bem longe. Esses psicopatas falsários, impostores ou estelionatários não vivem em um mundo de fantasia. Quando são descobertos admitem seus crimes como uma total naturalidade e ainda acham que estavam fazendo o bem para suas vítimas como aconteceu com o falso médico Gonçalves. Ao contrário dos estelionatários comuns, a manipulação e os golpes não se limitam a fazer dinheiro. Eles envolvem a família e amigos e por isso a Justiça tem dificuldade em avaliar o estrago que esses psicopatas provocam na vida das pessoas. Como esse tipo de crime não envolve violência física direta, eles acabam escapando por falta de provas. Ou, quando são condenados pegam penas bem leves, saindo em liberdade em pouco tempo para recomeçar seus crimes do ponto onde pararam. Quem diga o americano Anthony Owens. Lembra dele no início desse artigo. Preso por bigamia em 2003, saiu da cadeia pouco tempo depois e voltou a botar em prática o conto do vigário, ou, melhor do pastor. Em apenas 18 meses, pediu outras quatro mulheres em casamento. 

RF

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