sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Degelo do Ártico pode aumentar morte de filhotes de urso

Filhotes de ursos polares obrigados a nadar longas distâncias com suas mães por causa do degelo de seu habitat, o Ártico, parecem sofrer uma mortalidade mais acentuada do que filhos que não precisam nadar tanto, segundo um novo estudo realizado pela entidade ambientalista WWF. Os ursos polares caçam, se alimentam e procriam sobre o gelo ou a terra, e não são criaturas naturalmente aquáticas. Estudos anteriores já haviam notado que esses animais estão precisando nadar centenas de quilômetros para alcançar plataformas de gelo, mas este é o primeiro trabalho que avalia o risco desses trajetos para os filhotes da espécie. "A mudança climática está arrancando o gelo marinho debaixo dos pés dos ursos, forçando alguns deles a nadarem distâncias maiores para encontrar alimentos e habitat", disse Geoff York, co-autor do documento. York disse que essa foi a primeira vez que os percursos a nado foram quantificados, preenchendo uma lacuna nos dados históricos dessa espécie tão característica do Ártico. Para reunir os dados, os pesquisadores usaram satélites e monitoraram 68 ursas equipadas com colares com GPS, entre 2004 e 2009, anotando as ocasiões em que elas nadavam mais de 30 milhas (48,3 quilômetros) por vez. Foram registrados 50 desses trajetos a nado nesses seis anos, envolvendo 20 ursas. O maior deles cobriu 685,6 quilômetros, e durou 12,7 dias, segundo dados a serem apresentados na terça-feira na Conferência da Associação Internacional dos Ursos, em Ottawa no Canadá. Na época em que os colares foram colocados, 11 ursas que nadavam longas distâncias tinham filhotes pequenos; cinco dessas mães perderam seus filhotes nos trajetos a nado -- uma taxa de mortalidade de 45 por cento. Os filhotes que não precisavam nadar longas distâncias com suas mães tinham uma mortalidade de apenas 18%, segundo o estudo. Steve Armstrup, diretor da entidade conservacionista Ursos Polares Internacional, disse que os filhotes morrem nas travessias porque têm menos gordura que os adultos, o que significa um isolamento térmico pior e menos capacidade de sobreviver na água fria. Outro motivo é que, sendo mais magros que os adultos, não conseguem flutuar com tanta facilidade. O Ártico é a região do planeta mais fortemente afetada pela mudança climática global, e a cobertura de gelo marítimo em junho foi a segunda menor já registrada nas medições por satélite iniciadas em 1979, segundo o Centro Nacional de Dados da Neve e do Gelo dos EUA.
Foto: Geoff York/World Wildlife Fund/Handout/Reuters
Fontes: G1; Último Segundo; EcoD


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado pela visita. Deixe sua crítica e sugestão para aperfeiçoarmos o blog. Abraços e Volte Sempre.