segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Pesquisadores do Peru querem saber mais sobre o urso-de-óculos

A descoberta de uma colônia de ursos-de-óculos (Tremarctos ornatus) em um parque arqueológico e ecológico do norte do Peru abriu novas perspectivas para conhecer o comportamento da espécie, considerada em perigo de extinção. Este mamífero carnívoro pertence à família dos ursídeos, os únicos de sua espécie na América do Sul. De coloração negra ou café, com manchas brancas nos olhos, costumam medir entre 1,30 metro e 1,90 metro, e pesar entre 80 kg e 125 kg. A pesquisa no norte peruano começou há cinco anos, dirigida pela bióloga canadense Robyn Appleton e uma equipe de três pesquisadores de campo do país, em coordenação com o museu arqueológico de Sicán. Eles conseguiram identificar 37 ursos-de-óculos com o uso de câmeras, armadilhas não-letais e observações. "Antes se pensava que os ursos estavam apenas em áreas protegidas, mas graças a esta pesquisa descobrimos que estes animais descem até 200 metros para se alimentar das florestas de sapoti que crescem nas partes baixas", disse o pesquisador de campo José Vallejos. O estudo pretende documentar os comportamentos, o uso sazonal de habitats, a alimentação, a disposição de fontes de água e a criação dos filhotes, para aplicar novas medidas que assegurem a proteção da espécie. De acordo com pesquisas, os principais fatores que influenciam na redução da população dos ursos são a caça ilegal e a propagação de cultivos agrícolas mediante a poda do sapoti, um elemento fundamental para a sobrevivência desta espécie. No intuito de evitar o contato dos ursos com humanos, em 28 de abril de 2010 foi criado o parque arqueológico e ecológico do Batán Grande, ordenada pelo município distrital de Pitipo, na região nortista de Lambayeque. Além disso, em 2008, a organização "Spectacled Bear Conservation", da qual fazem parte os pesquisadores, e a associação de criadores de gado da área, construíram uma cerca de dez quilômetros para proteger a região do estudo, com placas que informavam sobre a proibição de caçar animais em perigo de extinção. É possível que estas medidas tenham contribuído para a reprodução da espécie, já que de acordo com Vallejos, recentemente foram descobertas três ursas com seus filhotes em cavernas. "Estamos tomando nota dos tempos que passam fora e dentro das cavernas e as atividades que mães e filhos desenvolvem. O mais importante de tudo é que isto está sendo feito em estado silvestre", destacou. Recentemente, dois filhotes de urso-de-óculos nasceram no zoológico de São Carlos, no interior de São Paulo. O casal é resultado do cruzamento de outros dois espécimes que estão juntos há 14 anos. É a quinta ninhada desses ursos, que já são pais de outros oito filhotes nascidos em cativeiro. Segundo a administração do zoológico de São Carlos, a visitação do público aos filhotes vai ocorrer a partir de janeiro, quando será realizado um concurso que vai eleger os melhores nomes para os bichos por meio de voto popular.

Foto 1: Em 12 de junho, dois filhotes da espécie nasceram no zoológico de São Carlos. (Foto: Divulgação)

Foto 2: Exemplares de urso-de-óculos em fase adulta e filhotes. Os espécimes vivem no zoológico de São Carlos, no interior de São Paulo (Foto: Divulgação)





Fontes: G1; estadao.com.br

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