segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Planta considerada 'fóssil vivo' é mais jovem do que se pensava


As cicas são um grupo de plantas que existem desde a época dos dinossauros. Comparando as espécies atuais com os registros fósseis, os cientistas nunca acharam grandes diferenças e, por isso, acreditavam que as plantas ainda fossem as mesmas de centenas de milhões de anos atrás. Uma pesquisa publicada pela Science no entanto, desfaz a imagem de que essas plantas seriam “fósseis vivos”. O grupo responsável pelo estudo é liderado por Sarah Matthews e Nathalie Nagalingum, da Universidade Harvard, nos EUA, e conta com a presença do brasileiro Tiago Quental, da Universidade de São Paulo (USP). Eles analisaram o DNA das plantas atuais e chegaram à conclusão de que elas não têm mais que 12 milhões de anos – a maior parte delas tem entre 5 milhões e 10 milhões. "Neste estudo utilizamos tanto sequências de DNA quanto o registro fóssil para construir o que é chamado de cronograma -- uma filogenia onde os comprimentos dos ramos é proporcional ao tempo. Esse cronograma - essa filogenia - nos permite 'voltar no tempo' e identificar quando as espécies evoluíram", conta Quental. "Os resultados mostram que o ancestral comum das espécies que compõem cada um dos gêneros estudados não é mais velho do que cerca de 10 milhões de anos. Dessa forma, esse resultado mostra que as espécies vivas hoje surgiram nos últimos 10 milhões de anos, o que, no tempo geológico, é muito recente", explica o especialista. "Isso indica que as espécies vivas hoje não podem ser consideradas 'fósseis vivos' e que certamente não estavam presentes ao mesmo tempo que os dinossauros, uma vez que estes se extinguiram há cerca de 65 milhões de anos. Isso não quer dizer que não existiam cicas no tempo dos dinossauros. O que isso quer dizer é que todas as cicas que coexistiram com os dinossauros estão extintas e hoje temos outras espécies. Dessa forma, temos que enxergar as cicas hoje como um grupo que se 're-diversificou'", prossegue Quental. "Um outro resultado importante do trabalho é que essa 're-diversificação' das cicas nos últimos 10 milhões de anos ocorreu de forma sincronizada em todo o nosso planeta, o que sugere que um efeito global poderia ter causado esse padrão, provavelmente um efeito climático", conclui o pesquisador.
Foto: Planta da espécie 'Cycas taitungensis'. (Foto: Nathalie Nagalingum/Science/AAAS)
Fonte: G1

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