sábado, 12 de novembro de 2011

Extinção de tubarões preocupa especialistas

Tubarões sempre existiram em grande abundância no Arquipélago de São Pedro e São Paulo, cuja excepcional quantidade foi notavelmente registrada por navegadores e exploradores durante mais de 150 anos, incluindo Charles Darwin durante sua viagem no HMS Beagle. A impressão geral é de que tubarões ocorriam no Arquipélago em quantidades extraordinárias, segundo relatos de viajantes experientes e acostumados a vida no mar. A espécie de tubarão foi identificada como sendo o Tubarão-das-Galapágos (Carcharhinus galapagensis) em uma das últimas expedições em que esta espécie foi avistada. Após o estabelecimento da estação de pesquisa em 1998 pela marinha do Brasil, o monitoramento ambiental no Arquipélago foi iniciado de maneira continuada, porém em mais de 10 anos de visitas, incluindo 13 expedições especialmente realizadas para o levantamento da fauna de peixes do local, nunca mais se viu um Tubarão-das-Galapágos por lá. Análises estatísticas aplicadas a quantidade e a disposição dos registros históricos associado as observações realizadas na última década dão suporte a conclusão de que o Tubarão-das-Galapágos foi extinto no Arquipélago. Um fato que certamente deixariam surpresos os navegadores do passado que lá estiveram e viram milhares destes animais ao redor das ilhas. Estas análises também sinalizam que o início do declínio populacional dos tubarões "coincide" com o início da pesca comercial no Arquipélago, provendo um forte indício de que a pesca teve um papel fundamental neste processo. Duas conclusões principais emergem deste estudo:
1 - Em menos de 4 décadas, a pesca comercial no Arquipélago de São Pedro e São Paulo conseguiu levar a extinção uma espécie que era notada como extremamente abundante durante quase dois séculos. Esse fato vem sendo deliberadamente ignorado por engenheiros de pesca que defendem a pesca no Arquipélago como sustentável.
2 - Este estudo demonstra a importância de se incorporar registros históricos em avaliações de impactos humanos em ambientes marinhos. Se todo o nosso conhecimento sobre a fauna do Arquipélago de São Pedro e São Paulo fosse baseada apenas nas pesquisas iniciadas após o estabelecimento da estação científica, estaríamos correndo o risco de concluir que estes tubarões nunca teriam existido no local. Este foi o primeiro estudo a utilizar esta análise, chamada de "ecologia histórica", aplicada a conservação marinha no Brasil. Muito mais ainda precisa ser feito.
Fonte: Rede Ambiente

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