quinta-feira, 24 de novembro de 2011

IUCV divulga nova Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas

Boas e más notícias sobre a biodiversidade mundial foram divulgadas na nova Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, levantamento realizado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCV). A nova pesquisa aponta que 25% dos mamíferos de todo o mundo corre perigo de extinção. Os rinocerontes aparecem como um dos mais ameaçados. Chamado pelos cientistas de Diceros bicornis longipes, o rinoceronte-negro-ocidental foi declarado oficialmente extinto de acordo com a mais recente atualização da Lista Vermelha. Já o rinoceronte-branco-do-norte (Ceratotherium simum cottoni) está à beira da extinção. Segundo a IUCV, outras espécies do mamífero estão correndo o mesmo risco, como o rinoceronte-de-java (Rhinoceros sondaicus), devido a junção de falta de vontade política em prol de conservações dos habitats com o aumento da caça para a retirada dos chifres por grupos criminosos internacionais. “Tanto no caso do rinoceronte-negro-ocidental como no do rinoceronte-branco-do-norte, a situação poderia ter sido bem diferente se houvessem sido aplicadas as medidas de conservação sugeridas”, lamentou Simon Stuart, presidente da comissão de sobrevivência das espécies da IUCN no portal da instituição. “Estas medidas devem ser reforçadas agora, especialmente no que toca a gestão dos habitats, a fim de melhorar o rendimento produtivo e evitar a extinção de outros rinocerontes, como é o caso do rinoceronte-de-java”. A lista contou com mais de 61 mil espécies. Além de notícias negativas, a IUCV destacou casos em que os esforços para a conservação estão dando certo, a exemplo das subespécies do rinoceronte-branco (Ceratotherium simum simum), que teve um significativo crescimento na sua população. No final do século 19 eram menos de 100 indivíduos - atualmente são mais de 20 mil animais. Os cavalos de Przewalski (Equus ferus), que também chegaram a ser classificados como extintos em 1996, ainda correm risco, mas melhoraram sua posição. Eles passaram de “Em Perigo Crítico” para “Em Perigo”, e por meio da execução de um programa bem sucedido, já ultrapassam o número de 300 animais.
Outros destaques da Lista Vermelha da IUCN:
Coníferas: A lista revela tendências preocupantes entre as coníferas. Os chineses Água Fir (Glyptostrobus pensilis), antes encontrado por toda a China e Vietnã, agora passou da classificação “Em Perigo” para “Em Perigo Crítico”. A razão desse declínio é a expansão da agricultura. Até mesmo plantas de uso medicinal, como a Taxus contorta (usada para produzir uma droga quimioterápica, o Taxol) deixou a condição de “Vulnerável” para “Em Perigo”, devido à exploração excessiva e uso como lenha e forragem.
Thunnus thynnus: Cinco das oito espécies de atum estão em alguma categoria de espécie ameaçada ou quase ameaçada na Lista Vermelha. O Atum-rabilho (T. thynnus) está classificado como espécie em “Perigo Crítico”. A atualização do levantamento poderá ajudar os governos a tomar decisões que salvaguardem o futuro das espécies de atum, entre elas, as que possuem alto valor econômico.
Lodoicea maldivica: A maioria das plantas com flores endêmicas das Ilhas Seicheles, no Oceano Índico, está ameaçada. Ao todo, 77% das 79 espécies conhecidas estão ameaçadas, segundo a IUCN. Entre elas, está um conhecido afrodisíaco, o coco-do-mar (Lodoicea maldivica), que passou de “Vulnerável” para “Em Perigo”. Apesar do controle sobre a coleta e venda de sementes, as maiores do mundo, há razões, segundo a IUCN, para acreditar que existe um importante mercado ilegal para elas.
Manta alfredi e Manta birostris: Até mesmo espécies descobertas recentemente já estão na lista das ameaçadas. É o caso das jamantas. Até pouco tempo, só se conhecia uma espécie de manta-raia, agora se sabe que existem pelo menos duas: a manta-raia-dos-arrecifes (Manta alfredi) e a manta-gigante (Manta birostris), ambas consideradas vulneráveis. A M. Birostris pode chegar a um diâmetro de mais de sete metros e é a maior entre as espécies de jamantas. Para a IUCN é fundamental supervisionar e regulamentar a exploração e o comércio destas espécies, capturadas principalmente devido ao uso na medicina tradicional de suas brânquias, assim como a proteção dos seus habitats mais importantes.
Paraedura masobe: A lista indica também que 40% dos répteis terrestres de Madagascar estão em perigo. As 22 espécies da ilha identificadas como em “Perigo Crítico”, entre elas camaleões, lagartixas e serpentes, são consideradas um desafio para a conservação. Um alento é a criação de novas áreas protegidas em Madagascar, que ajudam a conservar espécies em “Perigo Crítico”, como o camaleão-tarzan (Calumma tarzan) e o camaleão-de-nariz-bizarro (Calumma hafahafa) e a lagartixa Paracontias fasika. A Paraedura masobe está classificada com “Em Perigo”.
Ranitomeya benedicta e Ranitoneya summersi: Anfíbios são considerados como indicadores da saúde do meio ambiente em que vivem e fontes potenciais para novos medicamentos. Como esse é um dos grupos mais ameaçados, ele está vigiado de perto pela IUCN. Vinte e seis anfíbios descobertos recentemente já estão na lista vermelha, como as rãs venenosas Ranitomeya benedicta (Vulnerável) e Ranitoneya summersi (Em Perigo), ameaçadas pela perda de habitat e comércio internacional de mascotes.

Foto 1: O rinoceronte-negro-ocidental foi declarado oficialmente extinto pela IUCV/Foto: Carlos Oliveira Reis

Foto 2: O rinoceronte-branco-do-norte foi declarado a beira da extinção/Foto: drmilhones.






Fonte: EcoD

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