terça-feira, 29 de novembro de 2011

Transplante de neurônios recupera funções cerebrais

Doenças que afetam o cérebro comprometem a qualidade de vida de milhões de pessoas em todo o mundo. Uma nova pesquisa publicada no periódico científico Science mostrou que o cérebro de mamíferos aceita mais reparos na idade adulta do que se imaginava. Feito por pesquisadores da Universidade de Harvard, do Hospital Geral de Massachusetts e Centro Médico Beth Israel, o trabalho implantou neurônios de embriões de camundongos em animais adultos que tinham uma deficiência cerebral, a incapacidade de responder ao hormônio leptina, responsável por regular o metabolismo e controlar o peso em diversos mamíferos, entre eles o camundongo e o homem. Como consequência, os camundongos adultos que tinham obesidade mórbida à falta de leptina emagreceram e passaram a ter um metabolismo normal. “O que fizemos aqui foi reconectar um sistema do circuito cerebral que geralmente não se regeneraria naturalmente e isto restaurou substancialmente sua função normal”, afirmou Jeffrey Macklis, de Harvard, em podcast disponibilizado pela revista. Aparentemente, o que ocorreu no hipotálamo dos camundongos adultos – local em que foram inseridos os neurônios – foi que estes se diferenciaram em quatro tipos diferentes de neurônios, formaram conexões e restauraram a capacidade de processar o sinal da leptina. Embora não seja um meio prático para tratar obesidade, o estudo traz evidências de que este tipo de transplante pode ajudar a recuperar funções em regiões do cérebro que controlam mecanismos complexos – o hipotálamo gere, por exemplo, emoções, comportamento sexual, temperatura corporal, sede, entre outros. Os resultados também mostraram aos pesquisadores que, em teoria, há a possibilidade de aplicar técnicas similares para outras doenças neurológicas e psiquiátricas. “Nosso próximo passo é fazer perguntas paralelas para outras partes do cérebro e da medula espinhal, relacionadas a esclerose lateral amiotrófica e traumas medulares. A pergunta é: nesses casos, podemos reconstruir o circuito no cérebro de um mamífero? Imagino que sim”, afirmou Macklis.
Fonte: Último Segundo

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