terça-feira, 6 de dezembro de 2011

CRIMINOLOGIA: SE FOSSE POSSÍVEL PREVER OS CRIMES PRATICADOS POR PSICOPATAS


Os psicopatas cometem 4 vezes mais crimes graves do que os bandidos comuns e livrar a sociedade desses criminosos teria um grande impacto na segurança pública. Mas, infelizmente, estamos longe desse tipo de solução. Especialistas afirmam ser muito difícil detectar os psicopatas antes que pratiquem crimes. O psiquiatra argentino Hugo Marietan, professor da Universidade de Buenos Aires, faz uma excelente abordagem sobre o assunto quando diz que o psicopata é um predador que se oculta no cotidiano, sendo uma espécie de fera que se espreita escondida aguardando para atacar no momento exato a sua presa. Diz ainda que eles são atores natos por excelência, mestres na arte de se camuflar, por isso a grande dificuldade para detectá-los e evitar que eles prossigam nas suas empreitadas criminosas. Uma das ferramentas usadas para isso é a avaliação psiquiátrica, a ser conduzida por um profissional de preferência experiente, através do que já conversamos pelo Psychopathy Checklist Revised. Permite identificar pacientes, mas de forma individual e é bem complexa para aplicar-se em toda a população, como numa espécie de censo demográfico. Há um outro problema grave também é que o nível de reincidência dos criminosos psicopatas chega a níveis assustadores de 70%. Portanto, se um deles deixar a prisão tem um risco muito grande de voltar a delinquir. Mas, quando aquele psicopata que nunca praticou um crime, temos como afirmar com 100% de certeza que ele vai cometer um crime algum dia ? A resposta, segundo os especialistas, é não, apesar da alta probabilidade disso vir a ocorrer. Infelizmente, a polícia não pode se basear em trabalhos de paranormais ou de ficção científica como no filme Minority Report para tentar descobrir os psicopatas a tempo. Mas, a prevenção não se limita a uma questão de tecnologia ou de paranormalidade, pois na Inglaterra já existe um projeto-piloto, chamado Programa para Pessoas Perigosas com Transtornos Graves de Personalidade (DSPD, da sigla em inglês), numa iniciativa conjunta dos Ministérios da Justiça e da Saúde e do Sistema Prisional. Nele, presos libertos ou perto do fim de cumprirem suas condenações são acompanhados de perto por funcionários do governo , caso sejam considerados perigosos para a sociedade por causa de seu transtorno. Se existir a probabilidade de reincidirem em crimes violentos for muito grande, eles continuam presos ou internados através de medidas de segurança. O programa ainda está no início para termos uma idéia da repercussão ou dos resultados, mas os ingleses aceitaram bem o projeto, por estarem acredito acostumados à vigilância: a polícia britânica costuma fazer em média 300 imagens de uma pessoa, ou seja, lá eles estão acostumados a essa liberdade vigiada e aqui no Brasil será que esse projeto funcionaria? Aceitaríamos que nossa liberdade fosse cerceada desse jeito e a partir de que idade isso poderia ser feito? São várias questões, mas me parece um projeto inovador, audacioso e corajoso para enfrentar o problema. Acredito também que o dilema aumenta muito se levarmos em consideração que os psicopatas não têm tratamento. A não ser que no futuro, a ciência possa criar dispositivos que possam ser implantados em seus cerébros para que funcionem como das pessoas normais. Será que isso vai ser possível? 

RF

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