segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Austrália armazena 70 bilhões de espermatozoides de corais

Cientistas australianos montaram um banco de esperma de corais com o objetivo de assegurar o futuro da Grande Barreira, que está em perigo devido às mudanças climáticas. Cerca de 70 bilhões de espermatozoides e 22 bilhões de embriões de corais submersos em nitrogênio líquido, a -196º C, estão armazenados no zoológico de Dubbo, localizado nas proximidades do deserto australiano. "Sabemos que a Grande Barreira de Corais corre um enorme perigo, devido a vários fenômenos de escala global, como as mudanças climáticas, a acidificação dos oceanos e o aquecimento das águas", explicou a responsável pelo projeto, Rececca Spindler. "Os próximos cinco anos serão cruciais para preservar a barreira e coletar ao máximo a diversidade genética", advertiu. A equipe de Rebecca trabalha com Mary Hagedorn, pesquisadora do Instituto Smithsonian, dos Estados Unidos, para recolher e congelar amostras da Grande Barreira. Com o objetivo de reunir o maior número de células reprodutivas possível, os cientistas coletaram porções inteiras da barreira antes de submergi-las em tanques, à espera do período reprodutivo que só ocorre durante três dias por ano. Em seguida, especialistas do Instituto de Ciência Marinha da Austrália devolveram essas porções para seus locais de origem.
Reserva genética: Os cientistas esperam constituir uma verdadeira reserva genética das espécies de corais, caso elas não sobrevivam ao aquecimento global, à contaminação e a furacões. O esperma e os embriões conservados em Dubbo poderiam permitir a reconstituição in vitro dos corais. Em seguida, ele seriam implantados no seu meio natural, para se reproduzirem e reconstituírem a barreira. Uma esperança "realista" para os próximos anos, segundo Rebecca. "Os corais são uma espécie única no mundo, diferente de todos os outros organismos, porque apresentam dois tipos de reprodução diferentes - sexuada (com ovos) e assexuada", constatou a bióloga Nana Satake. A reprodução assexuada ocorre por fragmentação, ou seja, separação de um pedaço do coral, que em seguida se fixa em uma rocha e dá origem a uma nova colônia. A Grande Barreira, considerada patrimônio mundial pela Unesco, estende-se por 345 mil quilômetros quadrados ao longo da costa australiana. Ela constitui o maior conjunto de corais do mundo. São 400 espécies de corais, 1,5 mil de peixes, 4 mil de moluscos, além de espécies em risco de extinção, como o dugong, um mamífero marinho herbívoro, e a grande tartaruga verde. Além da sua biodiversidade marinha, a Austrália quer manter o turismo, uma importante fonte de renda para o país. Ele arrecada € 4,8 bilhões por ano e tem um impacto positivo para a barreira, graças a obras de infraestrutura que atenuam o efeito das ondas e impedem maremotos locais. "Não podemos permitir a perda da barreira, que é ecológica tanto econômica como socialmente", concluiu Rebecca.
Foto: A Grande Barreira de Corais é um dos principais pontos turísticos da Austrália (Foto: Cortesia/Carlos Sanchez)
Fontes: G1; Último Segundo

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