quinta-feira, 22 de março de 2012

Pesquisa brasileira descobre que sapo esguicha jatos de veneno

Pesquisadores do Instituto Butantan, de São Paulo, descobriram que a espécie de sapo Rhaebo guttatus, sapo cururu, endêmica da Amazônia, pode ser o primeiro anfíbio que apresenta táticas de autodefesa ao esguichar veneno nos predadores para causar neles infecções graves. Eles perceberam que este anfíbio faz movimentações corporais que comprimem glândulas paratireóides onde o veneno fica armazenado nas costas e liberam jatos de venenos que podem atingir até dois metros de distância. O veneno, com propriedades inflamatórias, é capaz de causar complicações neurotóxicas, cardiotóxicas, edemas pulmonares, problemas no sistema digestivo ou até mesmo matar. De acordo com Carlos Jared, diretor do laboratório de Biologia Celular do instituto, o alvo principal do veneno são os olhos ou a boca, já que seu conteúdo só interage com a mucosa, que leva as toxinas para a corrente sanguínea. “É uma coisa fora dos padrões dos anuros [ordem dos animais a qual pertence os anfíbios]. As outras espécies de sapos só liberam veneno quando são ‘mastigados’ por presas. E já o Rhaebo guttatus encontrado na Amazônia o esguicha com precisão”, disse Jared. Entretanto, seu grau de letalidade é 30% menor ao dos venenos de outros exemplares – que podem até causar a morte dos predadores. “A intenção deste sapo é dar um ‘chega pra lá’ nas presas. No ser humano não sabemos qual é o efeito, já que nunca houve casos de contaminação”, explica. O sapo-cururu apresenta comportamento predatório, algo incomum entre as outras espécies de sapo. Pesquisadores do Butantan descobriram que ao contrário dos outros anfíbios, que expelem veneno somente para se defender de um ataque, o Rhaebo Guttatus tem um mecanismo de veneno ativado voluntariamente. “Essa descoberta pode revolucionar o estudo dos anfíbios, pois jamais se imaginou um sapo com esse tipo de comportamento. Além de contribuir com nossos estudos, reacende o folclore de que esses animais só atacam seu predador voluntariamente”, disse, em um comunicado, Carlos Jared, diretor do Laboratório de Biologia Celular do Instituto Butantan em São Paulo.
Folclore: O pesquisador afirma que esse fato explicaria o folclore de que as pessoas tinham que tomar cuidado com os sapos, porque eles soltariam jatos nos olhos. "Isto pode ter vindo da época do descobrimento da região amazônica, há séculos. Mas isso só faz sentido se for na área de floresta, já que esta espécie perde as propriedades de ataque se for mantida em cativeiro", explica.
Veneno como medicamento: Jared afirma que essa característica foi descrita por brasileiros na publicação científica “Amphibia-Reptilia”, 200 anos depois da espécie ter sido descoberta. Ele afirma que o veneno da espécie é composto por substâncias como esteróides e lipídeos, bem diferente das toxinas encontradas em outros anfíbios. Além disso, o líquido liberado pelo Rhaebo guttatus pode auxiliar cientistas no combate a fungos. “Ele tem uma propriedade ativa de fungicida por andar no chão da floresta. A médio prazo, pretendemos desenvolver uma fórmula de medicamento contra esse tipo de inflamação”, diz.

Foto 1: Exemplar do sapo 'Rhaebo guttatus', encontrado apenas na floresta amazônica. Espécie libera jatos de veneno contra predadores. (Foto: Divulgação)

Foto 2: Divulgação; Ao contrário das outras espécies, o sapo cururu tem mecanismo de veneno ativado voluntariamente







Fontes: G1; Último Segundo;estadao.com.br

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