domingo, 8 de abril de 2012

A saga do Mar de Aral: dois países, dois destinos

O que era um Oásis no meio do deserto por séculos, com o título de quarto maior lago do mundo, atualmente é o exemplo do que a gestão inadequada dos recursos hídricos pode levar. O Mar de Aral, que já possuiu uma área que cobria uma região equivalente aos estados do Rio de Janeiro e Alagoas juntos, agoniza por uma solução para conservar as águas que ainda o restam. O problema é que o lago de água salgada está situado entre dois países da Ásia Central com diferentes visões sobre o problema: o Cazaquistão aposta em uma solução da crise ambiental, enquanto o Uzbequistão parece dirigir-se a uma tragédia. O Mar de Aral foi reduzido drasticamente desde os anos 60, quando seus principais afluentes foram desviados para irrigar plantações. O lago foi afetado ainda por atividades industriais, lançamento de resíduos químicos e testes com armamentos. Em 1990, o Mar havia diminuído para um décimo de seu volume original e se dividido em dois. Um pouco de esperança, entretanto, tem surgido entre os habitantes da costa do Cazaquistão. Após ver o mar diminuir e a pobreza aumentar ano a ano, as autoridades locais adotaram medidas que estabilizaram os níveis da água, ajudando as comunidades pesqueiras locais a se recuperarem lentamente. No sul, contudo, na costa do Uzbequistão, não há motivos para otimismo. A prosperidade de Muynak também foi minguando com o Aral. Agora, os moradores queixam-se da falta de peixes, além de problemas de saúde pelas tempestades de pó tóxico. Perante a imobilidade do governo local, a população procura meios de sair da região. Alguns especialistas afirmam que as águas localizadas no Uzbequistão secarão completamente em breve.
Urgência: A situação na região é complicada. O desaparecimento das águas deu lugar a terra com sal e químicos tóxicos, produzindo uma epidemia de tuberculose, segundo informações da Organização das Nações Unidas (ONU). Além disso, a região apresenta a maior taxa de mortalidade infantil na Ásia meridional. Cerca de 70% dos 1,1 milhão de habitantes do local sofrem com doenças crônicas: dificuldades respiratórias, febre tifóide, hepatite e câncer de esôfago. Dezenas de milhares de pessoas abandonaram a área. O agravante é que o Uzbequistão parece não ter interesse em alterar a situação. Pouca água do Rio Amu Darya chega ao Aral, pois é desviada para irrigar uma decrescente produção de algodão, que as autoridades vendem nos mercados internacionais para obter divisas. Por outro lado, os esforços do Cazaquistão trazem esperanças. Construída em uma colaboração entre o governo e o Banco Mundial no valor de US$ 64 milhões, a represa Kok-Aral desde 2005 desvia água do Rio Syr Darya para o Mar. O projeto parece estar dando resultado. Os níveis de água da parte cazaque do Mar de Aral estão subindo lentamente, a salinidade diminuiu cinco vezes e a fauna regressou. Alguns poucos ex-moradores começam a retornar a Aralsk e outras aldeias costeiras.
Foto: O Mar de Aral reduziu-se a um décimo do seu tamanho original na década de 90/Foto: kvitlauk
Fonte: EcoD

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