sexta-feira, 27 de julho de 2012

Áreas degradadas no Brasil equivalem a duas Franças, aponta MMA

As áreas degradadas (terras abandonadas, em processo de erosão ou mal utilizadas) somam 140 milhões de hectares no Brasil, área superior a duas vezes o tamanho da França, segundo dados do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Caso essas porções fossem recuperadas, seria desnecessário derrubar florestas para a agropecuária, de acordo com pesquisadores e técnicos que participaram no dia 11 de julho, do nono Simpósio Nacional de Recuperação de Áreas Degradadas, realizado no Rio de Janeiro. Atualmente, o MMA finaliza seu novo plano plurianual, que dará grande importância à recuperação da terra como forma de evitar o empobrecimento das populações e prevenir a derrubada de mais áreas de florestas. “Neste plano está estabelecida uma meta de elaborar, até 2015, um plano nacional de recuperação de áreas degradadas, que necessariamente deve ser feito com políticas integradas com outros setores da sociedade", explicou à Agência Brasil Fernando Tatagiba, diretor do Departamento de Florestas. Segundo ele, não existe um número preciso [de terras degradadas], mas é possível estimá-lo em torno de 140 milhões de hectares. "É um grande desafio que temos pela frente, de superar esse passivo, pois essas áreas geram prejuízos enormes para o país e trazem pobreza para o produtor rural”, observou Tatagiba. Existem áreas degradadas em todos os biomas e regiões do país. “Obviamente, onde a ocupação humana é mais antiga, existem áreas mais extensas, como é o caso da Mata Atlântica. Mais recentemente, temos o Cerrado. Na Amazônia, as áreas degradadas estão localizadas em locais de mineração e no chamado Arco do Desmatamento [faixa de terra de pressão agrícola marcada por queimadas e derrubadas, ao sul da Amazônia, do Maranhão ao Acre]”, apontou.
Recuperação evitaria desmatamento: Tatagiba considerou que, se as áreas degradadas forem recuperadas, não seria preciso derrubar mais nenhum hectare de floresta para agricultura e pecuária, ainda que na prática nem toda área possa ser totalmente recuperada. "É um grande desafio que temos pela frente, de superar esse passivo, pois essas áreas geram prejuízos enormes para o país e trazem pobreza para o produtor rural” - Fernando Tatagiba. “Para reduzir a pressão sobre florestas, há necessidade de se recuperar pastagens degradadas, que são em torno de 15 milhões de hectares. Se você recupera a capacidade produtiva dessa pastagem, elimina a necessidade de suprimir uma área equivalente em florestas. Além disso, é preciso aumentar a produtividade da pecuária, pois não tem cabimento um boi por Maracanã [equivalente a um hectare]”, comparou o diretor do órgão do MMA. Para o chefe do Centro Nacional de Pesquisa de Agrobiologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Agrobiologia), Eduardo Campello, o Brasil já detém tecnologia própria para reverter a degradação das terras, por meio de processos de seleção e manejo e trocando produtos químicos por insumos biológicos. Com isso, ele considera ser possível reduzir ou até reverter a derrubada de florestas para a agropecuária. “Várias dessas áreas podem se tornar mais rentáveis, tirando a pressão sobre as florestas e os remanescentes nativos. Já tivemos avanços incontestáveis com o plantio direto [técnica em que se roça a terra e se semeia em seguida, evitando a erosão]. É preciso integrar lavoura, pecuária e floresta, usando mecanismos naturais, como fixação biológica de nitrogênio, evitando o uso de adubo químico. Já temos áreas abertas suficientes, o que precisamos é recuperar o solo.”
Foto: Desmatamento para a produção de gado em Mato Grosso/Foto: leoffreitas  
Fontes: EcoD; Último Segundo

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