terça-feira, 3 de julho de 2012

Nova descoberta reforça teoria que dinossauros tinham sangue quente

Pesquisadores do Instituto Catalão de Paleontologia atiraram no que viram e acertaram no que não viram. Ao analisar ossos de ruminantes, eles conseguiram desbancar o índicio mais usados para determinar se um animal é de sangue quente ou sangue frio. Os ossos dos mamíferos endotermos apresentavam as mesmas linhas de interrupção de crescimento observadas nos ossos de dinossauros tidos como ectotérmicos, reacendo um longo debate sobre a possibilidade de alguns dinossauros serem endotermos. A possibilidade de que alguns dinossauros tivessem sangue quente cria uma série de mudanças em relação a conceitos sobre a evolução e também distribuição geográfica dos dinossauros. Como não conseguem gerar calor internamente, os animais de sangue frio gastam muito tempo armazenando ou poupando energia externa. Já os animais de sangue quente, que têm metabolismos mais ativos, conseguem manter a temperatura interna relativamente constante. Isso significa que eles são mais ativos e podem viver em climas mais diversos. “O fato de que dinossauros ou alguns dinossauros tinham sangue quente implica na possibilidade de eles terem vivido em todas as regiões climáticas”, disse Xavier Jordana, do Instituto Catalão de Paleontologia e um dos autores do estudo publicado no dia 27 de junho no periódico científico Nature. Outra questão muito importante que o novo estudo levanta é sobre a evolução de mamíferos e aves. “O estudo muda também conceitos sobre a endotermia. Até agora, acreditava-se que os primeiros animais de sangue quente surgiram com os mamíferos e as aves, depois dos dinossauros. Portanto, este tipo de fisiologia apareceu de forma mais precoce na evolução das espécies”, disse Jordana.
Tudo por causa de um osso: Os pesquisadores do Instituto Catalão de Paleontologia analisaram ossos de mamíferos ruminantes para descobrir pistas de como o ambiente os afeta os animais atualmente. Eles queriam compreender se houve mudança de crescimento nos animais como resposta às mudanças da temperatura externa, índice de chuva e disposição de água e comida. A análise mostrou a presença de linhas de interrupção de crescimento, marcas nos ossos que são muito parecidas com os círculos encontrados nos troncos das árvores. Até então, acreditava-se que estas marcas eram encontradas apenas em animais de sangue frio, como peixes, répteis, anfíbios e em fósseis de dinossauros. Os pesquisadores conseguiram provar que estas marcas nos ossos são mais comuns em mamíferos que em répteis de sangue frio, fazendo cair por terra o sinal usado para determinar se um animal extinto é de sangue frio ou sangue quente.Além de provocar uma reviravolta em relação aos dinossauros, o estudo também tem importância para a conservação de espécies que habitam o planeta atualmente. “Agora sabemos que o ciclo anual de crescimento também está presente em mamíferos e assim podemos calibrar a cronologia de eventos vitais em animais selvagens, podendo estimar longevidade com base na estrutura interna dos ossos”, disse. 
Foto: AFP /Novo estudo afirma que dinossauros poderiam ter sangue quente e viver em várias partes do globo  
Fonte: Último Segundo

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