domingo, 12 de agosto de 2012

Eletricidade que vem do mar

Quem gosta de ir à praia, dar uns mergulhos, aproveitar as ondas e admirar a bela paisagem de um barco à vela no horizonte, dificilmente imagina que as águas dos oceanos são capazes de gerar energia elétrica. Está duvidando? É isso mesmo. Esse tipo de sistema de captação e conversão da energia das ondas do mar em eletricidade já é bem desenvolvido nos países do Reino Unido, como a Escócia, mas também tem sido implantado nas costas da Espanha e de Portugal. A inovação gera desenvolvimento sustentável e promete competir com as energias não-renováveis, cada vez mais escassas no planeta, como o petróleo. A empresa AWS Ocean Energy desenvolveu bóias submarinas que retiram e armazenam energia das ondas a 50 metros da superfície. De acordo com a AWS não há chance de o equipamento sofrer danos causados pelas tempestades, como ocorre com outras máquinas que geram energia através das ondas, pelo fato de as bóias serem inteiramente subaquáticas. Já a latino-americana Enersis instalou, recentemente, o primeiro parque comercial de ondas do mundo, que fica em Portugal, ao largo da Póvoa de Varzim, no Oceano Atlântico. A geração de eletricidade, feita em parceria com a tecnologia britânica, deverá iluminar os lares de seis mil pessoas. Ao contrário da AWS, a Enersis utiliza as máquinas escocesas Pelamis, que são compostas de vários cilindros vermelhos conectados entre si, que apontam para a direção das ondas. A energia das ondas é direcionada para tubos que sobem e descem no leito do mar. Uma vez armazenada, é ligada a um sistema hidráulico que a produz. Parcerias entre os governos e empresas privadas estão permitindo cada vez mais a exploração da energia elétrica proveniente do mar. Entre as vantagens para a implantação desse tipo de sistema estão o custo relativamente baixo, quando comparado ao da extração de recursos não-renováveis, a fácil instalação e manutenção dos equipamentos, além da preservação do meio ambiente, pois os lesivos combustíveis fósseis não são emitidos.  
Contra a correnteza: No entanto, pesquisadores do Greenpeace, universitários e industriários do Reino Unido argumentam que o assunto necessita de estudos mais aprofundados, porque ainda faltaria provar que a instalação desses equipamentos no oceano não prejudica o meio ambiente. Segundo eles, podem ocorrer acidentes com embarcações, sem falar em uma possível mutação em algumas moléculas que compõem o mar. Também não existe a certeza de que a produção de energia manterá uma regularidade, até porque dependeria das condições marítimas, levando em conta que o processo só é possível quando o mar não está agitado. Outro risco para esse tipo de projeto é o temor dos investidores em relação a como essas tecnologias funcionarão na prática.  
Perspectivas: Segundo especialistas, a energia oceânica poderá se constituir em 20% dos recursos renováveis totais da Europa até 2020, comparados aos 40% previstos para a energia eólica. Alguns países como a Escócia, Dinamarca, Portugal, Alemanha e Espanha já tomaram a dianteira quanto aos investimentos e subsídios para o aproveitamento da energia marinha, que passa a ser mais uma fonte de recursos renováveis a ser utilizada tanto para a geração de eletricidade, quanto para a preservação do meio ambiente (até que se prove o contrário). 
Foto: As máquinas Pelamis, "serpentes do mar" em latim/ Foto: Pauky  
Fonte: EcoD

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