domingo, 26 de agosto de 2012

Mudança climática começou há 600 anos no norte da Antártica

Um estudo publicado no dia 22 de agosto indica que as temperaturas na Península Antártica começaram a subir naturalmente há 600 anos, bem antes de a humanidade começar a queimar os combustíveis fósseis responsáveis pela mudança climática. Recentemente, colapsos de enormes porções de gelo têm sido registrados na região, e a pesquisa pode ajudar a explicar esse fenômeno.A Península Antártica é um braço de tera que se estende no norte do continente e é a parte que se situa mais próxima à Terra do Fogo, no extremo sul da Argentina. Nela fica a Ilha de Rei George, onde o Brasil estabeleceu sua base, a Estação Antártica Comandante Ferraz, atingida por um incêndio no início do ano. Segundo os pesquisadores, o atual ritmo de aquecimento, de 2,6 graus Celsius por século, é "excepcional", mas não inédito. "Quando o recente aquecimento excepcional começou, as placas de gelo da Península Antártica já estavam fadadas aos dramáticos rompimentos observados a partir da década de 1990", disse a Pesquisa Antártica Britânica, que comandou o estudo publicado na revista "Nature". O aquecimento decorrente de variações naturais começou há 600 anos, tornando as banquisas -- pedaços de gelo flutuando no mar em torno da península -- vulneráveis a um aquecimento cada vez mais forte a partir de 1920. O fenômeno também pode ter afetado ventos e correntes oceânicas. Nos últimos anos, vários blocos de gelo despencaram ao redor da península, inclusive as banquisas Larsen A e B e a Wilkins. Cerca de 25 mil quilômetros quadrados de gelo se perderam, uma área semelhante à do estado de Alagoas. Cientistas ligados à ONU consideram que as emissões de gases do efeito estufa pela queima de combustíveis fósseis, a partir da Revolução Industrial, no século 18, contribuem de forma decisiva para as alterações climáticas no planeta -- responsáveis por secas, inundações e elevações do nível dos mares. "O que estamos vendo é consistente com o aquecimento induzido pelos humanos, somando-se ao natural", disse à Reuters o cientista coordenador do estudo, Robert Mulvaney. Ele alertou que o trabalho, feito em conjunto com especialistas da Austrália e da França, abrange apenas uma pequena parte da Antártica. Os cientistas perfuraram um buraco de 364 metros no gelo da ilha James Ross, ao norte da península, para estudar as pistas sobre as temperaturas nos últimos 15 mil anos. A perda das banquisas não contribui para a elevação dos mares, pois esse gelo já faz parte do oceano. Mas, sem a contenção delas, as geleiras em terra podem começar a deslizar mais rapidamente para o mar, agregando água ao oceano e causando sua elevação no mundo todo.
Ação do homem: A queima de combustíveis fósseis desde a Revolução Industrial, no século 18, emitiu gases-estufa que seguram o calor, aumentam a temperatura e causam enchentes, secas e elevaram os níveis dos oceanos com o derretimento do gelo em terra, afirmam cientistas ligados à ONU. O que estamos observando é consistente com um aquecimento causado pelo homem, sobreposto a um aquecimento natural", afirmou Robert Mulvaney, do BAS. Mas ele ressalta que seu estudo, feito em parceria com especialistas australianos e franceses, diz respeito apenas a uma pequena parte da Antártida. Os cientistas cavaram no gelo, ao norte da península, um buraco de 364 metros para encontrar pistas da variação de temperatura ao longo dos últimos 15 mil anos. Eles observaram que há 11 mil anos, no fim da última Era do Gelo, a temperatura no local era pouco mais alta que a de hoje. "Se esse aquecimento rápido que estamos observando continuar, podemos esperar que as plataformas de gelo ao sul da península, que estão estáveis há milhares de anos, também se tornem vulneráveis", alertou Nerilie Abram, da Universidade Nacional Australiana.


Foto 1: Mapa da Península Antártica (Foto: NASA Blue Marble project)


Foto 2: Capa de gelo flutuante na Antártida, já com rachaduras. (Foto: Michael Van Woert / NOAA / Divulgação)


Foto 3: Taxa de aquecimento foi de 2,6ºC por século/Alister Doyle/Reuters  


Fontes: G1; estadao.com.br

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