quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Perto da costa, jubartes correm perigo

Quando a baleia Touche está com fome, ele circula embaixo de um cardume de peixes, formando uma rede de ar com as bolhas que são formadas conforme ela nada em círculos. Então, ela sobe até a superfície do Golfo de Maine, encurralando os peixes ainda mais. Finalmente ela abre sua mandíbula larga, e engole tudo que consegue e relaxa, respirando profundamente na superfície da água. Então ele mergulha novamente e repete este procedimento diversas vezes. A estratégia de Touche para se alimentar, capturada em junho por um sistema eletrônico de rastreamento, é de grande interesse para os cientistas que acompanham as baleias jubarte no Atlântico Norte ao longo do Cabo Cod. "Toda vez que saímos e colocamos outro rastreador em uma baleia, nós aprendemos algo novo", disse Dave Wiley, diretor de pesquisa do Santuário Marítimo Nacional de Stellwagen Bank, em Massachusetts, que voltou para terra recentemente após ter permanecido em alto mar durante duas semanas com pesquisadores de várias instituições. Para Wiley, a descoberta mais impressionante é que cada baleia jubarte tem seu próprio conjunto de comportamentos, muitas vezes confundindo-os a generalizar informações sobre a espécie. Como resultado, os relatórios de Wiley sobre as jubartes estão cheios de ressalvas. "É frustrante, complicado e fascinante, tudo ao mesmo tempo", disse. Mais amplamente, ele e seus colegas esperam usar seus achados para realizar mudanças nas regras de pesca e transporte marítimo com intuito de proteger as jubartes. O santuário de Stellwagen é um habitat privilegiado para um pequeno peixe agulha que atrai um grande número de predadores, desde baleias e golfinhos, a badejos e atuns. No entanto, a proximidade do santuário da costa - 40 quilômetros de Boston e cinco quilômetros da ponta do Cape Cod – também significa que ele é muito utilizado por seres humanos. Em um dia ensolarado de verão, suas águas ficam repletas de barcos de observação de baleias e milhares de navios de pesca comercial e de recreação, além de veleiros e iates - e isso é só na superfície. Nas suas profundezas pode-se ver cordas de conexão de potes de lagosta e redes de pesca, que se estendem como se fossem redes de tênis. De acordo com Wiley, a maioria das mortes de jubartes causadas por humanos ocorrem quando as baleias são atingidas pela passagem de navios ou ficam presas em redes de pesca. Mas as autoridades não conseguem reduzir os riscos, porque não sabem o suficiente sobre como as baleias se movem debaixo d'água. "Nosso objetivo é coletar dados para poder influenciar nas políticas da região", disse Wiley. Desde 2002, Wiley e um grupo de colegas saem para alto mar por duas semanas durante o verão e conseguiram colocar cerca de 90 rastreadores em baleias Jubartes, em alguns casos, nas mesmas baleias ao longo de vários anos. Os dados dos rastreadores são sobreposto com estudos acústicos de biomassa de presas e, nos últimos dois verões, imagens das chamadas National Geographic Crittercams, que trazem de volta vídeos mostrando como as baleias usam diferentes partes de seus corpos enquanto se alimentam e como coordenam seus movimentos quando viajam em grupos. Os dados revolucionaram a pesquisa e a preservação das jubartes no santuário, mostrando aos cientistas onde as baleias passam a maior parte de seu tempo quando se encontram em uma coluna de água, enquanto estão mergulhando, o que fazem em diferentes profundidades, como se movem ao redor e quando vocalizam. Lentamente, mas constantemente, esta pesquisa tem dado bons frutos. Em 2007, as rotas de navegação entre Boston e Nova York, que cruzam o santuário de Stellwagen, foram deslocadas para evitar com que navios e barcos atravessassem em áreas com uma densa população de baleias, em parte porque os dados que Wiley havia coletado, mostraram que as jubartes passavam cerca de 60 % do seu tempo cerca de 15 metros da superfície, praticamente do lado da profundidade que os cascos dos navios atingem.. Em 2009, a Organização Nacional de Oceanos e Atmosfera começou a exigir que a pesca utilizasse cordas que afundam ao invés das tradicionais cordas flutuantes para amarrar potes de lagosta e armadilhas para caranguejos. As cordas que flutuam perto do fundo do mar representam um risco potencial quando as baleias mergulham para o fundo do mar, mas ninguém percebeu isso até que os dados levantados em Stellwagen mostrou que as baleias mergulhavam para o fundo do mar e nadavam entre as cordas. Embora as jubartes no santuário, que foi inaugurado em 1992, estão mais protegidas do que costumavam ser, de acordo com os pesquisadores, não há espaço para melhorias. Cada santuário marinho nacional desenvolve seus próprios regulamentos. No santuário Stellwagen, as pessoas são proibidas de jogarem materiais perigosos ou de realizarem qualquer atividade que possa alterar o fundo do mar. No entanto, não há regulamentação em relação a pesca ou a passagem de barco por lá, apesar de alguns estatutos federais e estaduais sazonais serem realizados as vezes que acabam afetando suas águas. Wiley sugeriu como um começo, que os limites sejam mais rígidos em relação a distância, velocidade e abordagem de barcos de observação de baleias e que isso iria fazer com que as baleias ficassem mais seguras. Dada a extensão das intrusões humanas, as pessoas perguntam por que ele simplesmente não vai estudar as baleias em águas mais calmas. Para ele, a resposta é óbvia. "Você pode ir para qualquer lugar e estudar os animais e descobrir o que eles fazem", disse Wiley. "Mas se você quiser fazer algo por eles, você precisa estar trabalhando em locais onde eles estão em risco, e eles estão em risco aqui."


Foto 1: The New York Times/Pesquisadores observam salto de jubarte na costa de Massachusetts, Estados Unidos


Foto 2: The New York Times/Grupo de jubartes aparece na superfície com as bocas cheias de peixes, em Cape Cod  


Fonte: Último Segundo

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