segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Busca de petróleo no Ártico russo causa temor

Os equipamentos que podem ser vistos na cidade russa de Severodvinsk - um na Praça da Vitória, outros dois em edifícios que pertencem à Agência de Prevenção de Desastres - parecem enormes relógios. Mais que mostrar as horas, eles indicam a radioatividade. São dosímetros e servem para tranquilizar as pessoas nesta parte da costa no noroeste da Rússia, na cidade que serve de base para os submarinos nucleares russos entre as viagens pelos mares do norte. Menos tranquilizador é saber que, um ano e meio atrás, um dos submarinos se incendiou. Durante décadas, essas frotas foram uma bênção e uma maldição na região, desprovida de infraestrutura. Agora, o noroeste russo tem outro motivo de esperança e uma nova fonte de perigo: o petróleo. Os estaleiros de Severodvinsk, no Mar Branco, estão ocupados com canteiros para a montagem de plataformas de perfuração que vão operar no campo petrolífero de Priraziomnoye, no Mar de Pechora. Com elas, surgiu uma resistência inesperada e repentina da ONG Greenpeace Rússia. "Um eventual acidente na plataforma no Mar de Pechora contaminaria uma área que tem o dobro do tamanho da Irlanda", adverte Roman Dolgov, diretor da ONG russa. Segundo ele, um acidente no campo cobriria 3,5 mil quilômetros de costa com uma mancha de petróleo. Mas, em razão das condições peculiares do Ártico, só seria possível retirar uma pequena parte desse óleo. O perigo de um dano ambiental também cresce no extremo norte porque os países que margeiam o Mar Ártico começam a explorar recursos anteriormente inacessíveis. Os mares gelados neste ponto estão desaparecendo e, neste ano, poderão até mesmo cair abaixo de seu menor nível anterior, de 4,3 milhões de km 2, registrado em 2007. "Estamos testemunhando uma situação histórica", diz Rüdiger Gerdes, um físico que estuda o gelo marinho no Instituto para a Pesquisa Polar e Marinha Alfred Wegener, em Bremerhaven, Alemanha. "A abertura de um novo território oceânico desperta nova cobiça."  
Última fronteira: Segundo uma estimativa da United States Geological Survey, cerca de 22% das reservas mundiais de petróleo ainda inexploradas e exploráveis se encontram no Ártico. Trata-se da última fronteira para as corporações petrolíferas multinacionais. A inexperiência das corporações russas em projetos offshore causa vez por outra algum acidente. Em dezembro, uma plataforma de perfuração móvel afundou no Mar de Okhotsk, a 200 quilômetros da costa da Ilha de Sakalina, enquanto estava sendo rebocada por um navio quebra-gelo. Dos 67 trabalhadores da plataforma, 53 foram declarados mortos ou desaparecidos no mar gelado - no maior acidente desse tipo no país. As companhias de petróleo e gás da Rússia têm fama de causadoras de catástrofes desde a era soviética. Segundo as autoridades reguladoras, os dutos do maior país do mundo apresentam mais de 25 mil pontos de vazamento a cada ano.O Greenpeace Rússia estima que isso provoque a perda de 5 milhões de toneladas de petróleo - sete vezes o volume que contaminou o Golfo do México em 2010, depois da explosão na plataforma da DeepWater Horizon. Aqui, a neve derretida na primavera e a chuva no verão carregam cerca de 500 mil toneladas métricas de óleo para os principais rios da região e depois para o Oceano Ártico. "As companhias pagam multas irrisórias", diz Dolgov. Quando o Greenpeace Rússia denunciou no ano passado 14 vazamentos de petróleo na república de Komi, no Círculo Polar Ártico, as autoridades ambientais da Rússia multaram a Lukoil, uma companhia que registra vendas anuais de 80 bilhões de euros , por uma quantia total equivalente a 27,5 mil euros.  
Fonte: estadao.com.br

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