sábado, 29 de setembro de 2012

Cientistas criam fibras orgânicas que se constroem sozinhas

Duas equipes de pesquisadores franceses conseguiram criar nanofibras orgânicas com múltiplas utilidades no campo da microeletrônica capazes de construir-se por si próprias, o que permite reduzir os custos para sua produção, anunciou o Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França. O experimento, realizado por especialistas do CNRS e da Universidade de Estrasburgo, mostra que as fibras, de poucos nanômetros de espessura, se reproduzem simplesmente com a aplicação de um flash luminoso, processo muito mais simples e barato que o empregado para fabricar outros materiais como os nanotubos de carbono. "A vantagem destes novos filamentos é que reúnem o bom dos dois materiais condutores de eletricidade (os polímeros orgânicos plásticos e os metais): são leves e flexíveis como os primeiros e conduzem a eletricidade quase como os segundos", explicou à Agência Efe um dos autores do estudo, Nicolas Giuseppone. A equipe do CNRS já tinha conseguido obter em 2010 este tipo de nanofibra ao modificar quimicamente moléculas de sínteses, as chamadas triaryl-aminas, utilizadas há décadas para produzir um tipo de fotocópia. Porém, as propriedades condutoras dos novos filamentos não haviam sido evidenciadas até agora. Ao lado de Bernad Doudin e seu grupo de pesquisadores da Universidade de Estrasburgo, Giuseppone pôs as novas moléculas em contato com um microcircuito eletrônico composto por eletrodos de ouro e aplicou um campo elétrico entre elas. O experimento revelou, por um lado, que as fibras se construíam "por si só no lugar correto" entre os eletrodos, o que permitia poupar a manipulação dos componentes, algo "muito complicado em tão pequena escala", segundo Giuseppone. Além disso, mostrou que os filamentos eram capazes de transmitir densidades de corrente "extraordinárias", muito similares às do cobre, algo "extremamente importante e raro", ressaltou o cientista, dada a má condutividade geral dos componentes orgânicos. Agora, os pesquisadores buscam comprador para este novo material, que poderia integrar-se à escala industrial em aparelhos eletrônicos como telas flexíveis, células solares, transistores e nanocircuitos impressos, entre outros, com um custo e um peso inferior aos habituais.  
Fonte: estadao.com.br

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