segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Cientistas da UFSCar descobrem novas vespas que parasitam ovos

Cientistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) descobriram duas novas espécies de vespas brasileiras. Encontradas em áreas próximas a Poços de Caldas, em Minas Gerais, e numa reserva ecológica no interior paulista, entre Ribeirão Preto e São Carlos, as espécies têm como característica parasitar ovos, larvas ou pupas de outros insetos. Chamadas de parasitóides, as vespas das espécies Dolichomitus jatai e Dolichomitus moacyri, da subfamília Pimplinae, são de grande porte em comparação com outras, avalia Angélica Maria Penteado Dias, professora de zoologia da UFSCar e uma das autoras do estudo. As espécies descobertas chegam a ter de 1,5 a 2 centímetros de tamanho de corpo, além de uma "cauda" usada para depositar ovos (chamada de ovipositor) com mais 2 centímetros, no caso das fêmeas. Este tipo de vespa não possui ferrão, diz a pesquisadora. De forma geral, as "caudas" das parasitóides são usadas para alcançar ovos ou larvas de outros insetos ou aranhas dentro de troncos caídos e depositar neles os próprios ovos das vespas. As "caudas" são modificadas como lâminas e podem ser usadas para injetar veneno produzido por uma glândula especial, de acordo com Angélica. Após saírem dos ovos, as larvas das vespas devoram os hospedeiros, segundo a pesquisa. Os ovos das espécies descobertas são alongados, o que facilita sua colocação. Cada vespa costuma depositar apenas um ovo por hospedeiro, diz a professora. Ela ressalta que a cor destes insetos costuma ser amarela ou castanho-avermelhada.  
Primeira vez: As vespas da subfamília Pimplinae são comuns em áreas de mata. É a primeira vez que estes animais são encontrados em vegetação de cerrado, diz Angélica. Questionada de as espécies podem estar ameaçadas, a professora ressaltou que as vespas do gênero Dolichomitus "não estão entre as mais comumentes encontradas", mas que é preciso pesquisar mais para saber se as espécies identificadas são raras ou não. O estudo foi publicado no periódico científico "ZooKeys". Angélica diz que, como a biologia das espécies do gênero Dolichomitus ainda precisa ser pesquisada, não é possível dizer quais animais são seus hospedeiros - podem ser larvas de besouros ou de aranhas, por exemplo. "Talvez sejam ectoparasitóides, se desenvolvendo sobre a parte de fora do hospedeiro", disse. Há vespas que chegam a parasitar insetos adultos, diz a professora, enfatizando que cada parasitóide tem um hospedeiro específico. "Não é qualquer hospedeiro, tudo é biologicamente correto", diz ela. O estudo é resultado da tese de doutorado de outra co-autora, Ana Paula da Silva Loffredo, também cientista da UFSCar. Uma das espécies, a Dolichomitus jatai, foi batizada em homenagem à Estação Ecológica de Jataí, no município de Luiz Antônio, entre Ribeirão Preto e São Carlos. Já a outra recebeu o nome de Dolichomitus moacyri em homenagem ao dono da área em que a outra vespa foi encontrada, em Poços de Caldas, ressalta a professora.


Foto 1: Fêmea da espécie recém-descoberta 'Dolichomitus jatai' (Foto: Reprodução/Zookeys/UFSCar)




Foto 2: Fêmea da 'Dolichomitus moacyri'; no detalhe, imagem da cabeça da vespa (Foto: Reprodução/"Zookeys"/UFSCar



Foto 3: Macho da espécie 'Dolichomitus moacyri', que não possui a 'cauda' (Foto: Reprodução/"ZooKeys"/UFSCar)  


Fonte: G1

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