quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Parasita pode ficar mais forte com mudanças do clima

Os parasitas podem se tornar mais virulentos com a mudança climática, segundo um estudo mostrando que rãs sofrem mais infecções de um fungo quando expostas a oscilações inesperadas de temperatura. Parasitas, que incluem os platelmintos, organismos minúsculos agentes da malária e de fungos, podem se adaptar de forma mais ágil a mudanças climáticas do que os animais que os hospedam, já que são menores e crescem mais rapidamente, disseram cientistas. "O aumento na variabilidade climática deve tornar mais fácil para os parasitas infectarem seus hospedeiros", disse à Reuters Thomas Raffel, da Universidade Oakland, nos Estados Unidos, baseando-se nas descobertas sobre rãs e um fungo de pele que às vezes pode ser mortal. "Achamos que isso pode exacerbar os efeitos de alguma doença", explicou sobre o relatório que liderou com colegas na Universidade de South Florida. O relatório será publicado na edição de segunda-feira da revista Nature Climate Change. Um painel de especialistas da ONU diz que o aquecimento global deve aumentar o sofrimento humano com mais ondas de calor, enchentes, tempestades, incêndios e secas, e ter efeitos como a disseminação do alcance de certas doenças. E a mudança climática, atribuída a gases que provocam o efeito estufa liberados por combustíveis fósseis, também deve significar mais oscilações nas temperaturas. "Poucos... estudos consideraram os efeitos da variabilidade ou previsibilidade climática sobre a doença, apesar de ser provável que hospedeiros e parasitas terão respostas diferentes às mudanças climáticas", escreveram. Os cientistas expuseram rãs cubanas em 80 incubadoras de laboratório a temperaturas variadas e a infecções de um fungo, o Batrachochytrium dendrobatidis, que costuma ser mortal para os anfíbios. Em um experimento, as rãs mantidas em uma temperatura de 25º C por quatro semanas sofreram mais infecções quando foram transferidas para incubadoras a 15ºC e expostas ao fungo do que as que estavam acostumadas a viver a 15ºC. "Se você muda a temperatura, a rã está mais suscetível à infecção do que uma que já estava adaptada àquela temperatura", disse Raffel. Em outro teste, as rãs que foram expostas a variações previsíveis da temperatura diária, entre 15 ºC e 25ºC, típicas das mudanças da noite para o dia, saíram-se bem melhor em resistir ao fungo. Baseando-se em fatores como tamanho, expectativa de vida e fatores como seus metabolismos, os cientistas disseram que as rãs provavelmente levaram 10 vezes mais tempo do que o fungo para se acostumar a mudanças inesperadas de temperaturas, um processo conhecido como aclimatação. Raffel disse que mais testes eram necessários de outros parasitas e hospedeiros para confirmar as descobertas. "Esse estudo só foi feito em uma única espécie de rã tropical", ele disse.


Foto 1: Pichi Chuang/Reuters/Animais de sangue frio, como anfíbios e répteis, seriam mais suscetíveis

Foto 2: Perereca infectada com o fungo Batrachochytrium dendrobatidis, que ataca a pele dos anfíbios e costuma ser fatal. Foto: brian.gratwicke  


Fontes: Último Segundo; estadao.com.br; EcoD

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