terça-feira, 6 de novembro de 2012

Saiba onde estão os 'depósitos' de coliformes fecais nos lares

Uma grande quantidade de doenças infecciosas pode ser transmitida em casa, sobretudo em determinados pontos que se tornaram verdadeiros focos de coliformes fecais. A advertência foi reforçada por especialistas no dia 15 de outubro, Dia Mundial de Lavar as Mãos, que ressaltou a importância da higiene pessoal. Objetos como controles remotos, torneiras de banheiro e cozinha, telefones, brinquedos e lixeiras são importantes transmissores de bactérias. Segundo o Gobal Hygiene Council, grupo formado por especialistas internacionais em higiene, estima-se que entre 50% e 80% das doenças alimentares tenham origem em casa. Isso porque pontos como a pia da cozinha, por exemplo, costumam ter 100 mil vezes mais germes que um banheiro, por estar contaminada com restos e sujeira. Tábuas de cortar alimentos têm 200% mais coliformes fecais que assentos de privada. Objetos frequentemente tocados com as mãos são grandes pontos transmissores – é o caso das torneiras de banheiro, que também costumam ter mais germes nocivos que a tampa da privada, e das bolsas de mão, que têm milhares de bactérias por centímetro quadrado. Daí a preocupação com a lavagem frequente das mãos, para evitar a transmissão dessas bactérias. "O nível surpreendente de contaminação em objetos do dia a dia é um sinal de que as pessoas estão esquecendo de lavar as mãos após usar o banheiro, um dos momentos-chave para prevenir infecções", disse à Press Association o pesquisador britânico Val Curtis, da Escola Britânica de Higiene e Medicina Tropical.
'Mãos de privada': Um estudo lançado nesta segunda pela escola, em associação com a Universidade Queen Mary e patrocínio de uma marca de sabonetes, aponta que cerca de um em cada dez britânicos pesquisados carrega nas mãos a mesma quantidade de germes de uma privada suja. A pesquisa identificou coliformes fecais em 26% dos entrevistados, em 14% das notas de dinheiro e em 10% dos cartões de crédito analisados. "As pessoas dizem que lavam as mãos, mas as pesquisas mostram que não e apontam o quão fácil esses patógenos (agentes causadores de doença) são transmitidos, sobrevivendo em dinheiro e cartões", diz Ron Cutler, que liderou a pesquisa em Queen Mary. Em média, as mãos carregam cerca de 3 mil tipos diferentes de bactérias, de mais de cem espécies diferentes, segundo pesquisadores americanos. Muitos desses tipos não são nocivos, mas a higiene das mãos é essencial para evitar que os germes que causam doenças não sejam transmitidos. O hábito de lavar as mãos é considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) uma das medidas de melhor custo-benefício para controlar doenças mundo afora. Pode, ainda, salvar mais de 1 milhão de vidas anualmente – perdidas, por exemplo, com diarreias e infecções respiratórias. O Hygiene Council também recomenda, nas residências, o uso de lixeiras que se abrem com pedal (para evitar contato manual), a limpeza de brinquedos (principalmente os de crianças doentes) e de superfícies tocadas com frequência.
Equilíbrio: Ao mesmo tempo, um relatório de setembro do Fórum Científico Internacional sobre Higiene Doméstica (IFH) cita a hipótese de que a crescente prevenção de infecções desde a primeira infância pode resultar, mais tarde, em uma maior incidência de doenças como alergias. A explicação: necessitamos da interação com micróbios, particularmente nos primeiros anos de vida, para manter nosso sistema imunológico em equilíbrio. Há indícios de que, idealmente, teríamos que ser expostos a determinados tipos de micróbios, mas não há consenso científico sobre quais deles, ou em que quantidade. Como, então, encontrar o equilíbrio entre a exposição a esses micro-organismos e a necessidade de manter distância de doenças infecciosas perigosas? Segundo o relatório, "podemos, por exemplo, estimular as crianças a brincar livremente umas com as outras e com o ambiente ao redor, o que as deixará expostas a uma variedade de micróbios (inevitavelmente, também a patógenos), mas ao mesmo tempo devemos ser rigorosos com a importância de realizar ações como lavar as mãos após ir ao banheiro ou visitar fazendas, antes de comer, etc". O mesmo vale para animais de estimação: a exposição a eles traz contato com diferentes tipos de micro-organismos, mas o risco de contaminações é reduzido com a boa higiene dos pets.


Foto 1: Lavar as mãos evita várias doenças (Foto: Reuters)


Foto 2: Controle remoto é um dos objetos que acumulam uma série de micro-organismos (Foto: Divulgação)

Fonte: G1

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