
Por que buscamos a verdade por trás da história e dos acontecimentos que cercam nosso cotidiano? Dizer apenas que o ser humano é essencialmente curioso e que essa necessidade de buscar respostas levou ao progresso da humanidade, isso todos nós já sabemos. Mas, o que está por trás é que alguns registros aceitos desses acontecimentos se alteram com o passar do tempo, devido a evolução da ciência. Evidências que tínhamos como pressupostos perfeitamente aceitáveis começam a tomar novos contornos. Novos indícios afloram como resultado da evolução tecnológica e da investigação científica. Um exemplo disso é a Arqueologia. Nas duas últimas décadas os cientistas ganharam um arsenal de instrumentos e técnicas para desvendar o nosso passado e que lançaram luzes sobre como se organizam determinadas sociedades, levando em consideração a experiência dos nossos ancestrais. Entre essas novas ferramentas estão equipamentos como satélites geoestacionários com scanners de amplo espectro que, por sua vez, monitoram sensores extremamente sensíveis no subsolo. Hoje, os pesquisadores tem uma noção do que vão encontrar bem antes de lançarem mão de pás e picaretas para fazer buracos e estruturar sítios arqueológicos. Podemos perceber isso também no campo da história. As mais sensacionais revelações nessa área são resultado direto da investigação criteriosa e baseada em uma metodologia científica rigorosa de pesquisadores e de peritos das mais diversas áreas do conhecimento em um trabalho extremamente multidisciplinar. Um outro exemplo é a ciência genética. No início restrita a esfera da Medicina e da Biotecnologia, ela vem sendo empregada na classificação de vestígios humanos ancestrais ou para ajudar na elucidação de crimes e cujos resultados são aceitos de maneira irrefutável. Com a análise do DNA de populações modernas pode-se revelar quais são os nossos genes mais antigos o que ajudaria a traçar um perfil dos movimentos migratórios primitivos e, com isso, contribuir para um conhecimento mais aprofundado de como se deu a difusão de nossa espécie pelo mundo. Lendo “The Truth About History", 2003 da 'The Readers Digest', editado e produzido pela 'Planet Three', encontramos mais uma constatação que reforça essa tese. A datação através de isótopos de carbono ou por radiocarbono, como queiram, que vem a ser uma contribuição da física nuclear, tornou-se uma importante ferramenta para investigar o passado. Microscópios extremamente potentes revelam, por exemplo, onde um artefato foi levado, por onde passou enquanto estava em uso e através da análise dos grãos de pólen aderidos a sua superfície é que se tem noção de como é importante essa multidisciplinaridade. É quando, então, um arqueólogo recorre a um biólogo ou botânico ou peritos de outras áreas para buscar maiores conhecimentos. Essa técnica foi usada para provar que o Santo Sudário, que está no Museu de Turim na Itália, já esteve na Terra Santa e também auxiliou a investigação sobre a vida e morte de Ötzi, a impressionante múmia pré-histórica preservada nas geleiras dos Alpes. Aparentemente áreas que não seriam muito relacionadas passaram a se comunicar e a trocar experiências e conhecimento e hoje não é nada estranho que a Medicina Legal auxilie a desvendar alguns mistérios do passado. Com isso, é comum termos um patologista debruçado sobre os restos mortais de um múmia ou analisando partes do corpo como um tufo de cabelos para tentar descobrir qual pode ter sido a causa da morte. Isso foi e continua sendo feito em múmias egípcias, ajudando a desvendar enigmas e a esclarecer alguns crimes históricos. A verdade é que novos campos de estudo vêm se abrindo a cada dia e as áreas científicas vão se entrelaçando em uma grande rede, o que obriga pesquisadores a se especializarem cada vez mais em diferentes campos e esse estudo e essa análise estão mudando a forma como enxergamos o mundo e a nossa história. Saímos há muito tempo do campo de apenas interpretarmos fatos e acontecimentos de maneira especulativa e passamos a adotar uma abordagem científica em busca dessa verdade. Isso, sem dúvida alguma, faz uma grande diferença pois lança um novo olhar para o passado em busca de algumas respostas que podem nos ajudar a entender o presente e a traçar o futuro da espécie humana.
Ricardo Ferreira