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Foto: Agência O Globo / Promotor Cembranelli comemora a decisão
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram condenados pela morte de Isabella Nardoni, de 5 anos, e não poderão recorrer em liberdade à sentença. Alexandre cumprirá 31 anos, um mês e 10 dias de prisão em regime fechado. Por ser o pai de Isabella - praticou o crime contra descendente - teve pena maior do que a da mulher. Anna Carolina Jatobá foi condenada a 26 anos e oito meses de prisão. Pela fraude processual, os dois cumprirão ainda 8 meses de prisão em regime semiaberto e pagarão 24 dias multa. A defesa informou que já recorreu da sentença. Os jurados concluíram que o casal praticou o crime (homicídio triplamente qualificado) usando meio cruel e que dificultou a defesa da vítima. O crime é agravado ainda por tratar-se de uma menor de 14 anos de idade. A sentença foi comemorada com fogos, palmas e gritos pela multidão que aguardava o anúncio do lado de fora do Fórum de Santana. A queima de fogos durou pelo menos três minutos. O pai de Alexandre, Antonio Nardoni, sentado ao lado da filha na primeira fila, chorou bastante. "O brilho da noite é do promotor Francisco Cembranelli", reconheceu o advogado de defesa do casal, Roberto Podval, que disse já ter recorrido da sentença, mas não deu detalhes do tipo de recurso. O promotor Cembranelli saiu sorrindo e foi aplaudido. "Sempre estive confiante. Sempre me senti pronto para participar do julgamento", afirmou o promotor, acrescentando que nada o abalou e que sempre teve certeza do resultado. Alexandre Nardoni foi levado ao plenário algemado. Tanto ele quanto Anna Carolina Jatobá choraram, mas um choro sem desespero, de quem já esperava pela condenação. A família de Ana Carolina Oliveira se abraçou assim que a sentença foi anunciada, mas funcionários do fórum pediram para que eles não se manifestassem. A mãe de Isabella foi avisada do resultado por uma mensagem por celular. Segundo o site G1, por viva voz ela agradeceu aos jurados pela condenação. Pouco depois, saiu na sacada de sua casa para acenar para a multidão que comemorava a condenação do lado de fora. Logo após o anúncio da sentença, o casal Nardoni foi levado de volta à prisão no carro oficial da Secretaria de Administração Penitenciária. A avenida diante do Fórum de Santana teve de ser interditada, pois foi ocupada pela multidão. Com um discurso contundente e baseado em provas levantadas pela perícia, o promotor Francisco Cembranelli convenceu os sete jurados - quatro mulheres e três homens - de que Anna Carolina Jatobá agrediu e esganou a menina Isabella e o pai a jogou do sexto andar do edifício London, na zona norte de São Paulo. A tentativa da defesa, de desqualificar as provas, não deu certo. O advogado Roberto Podval reconheceu diante do júri não conhecer o processo e disse que foi procurado "por um pai desesperado". Disse ainda que se sentiu intimidado pela experiência do promotor , que tem 22 anos de Tribunal de Júri e mais de mil julgamentos no currículo.
DESCANSE, FINALMENTE, EM PAZ PEQUENA ISABELLA.
Fontes: Globo On line; G1; TV Globo; CBN/SP





O promotor Francisco Cembranelli falou aos jurados por duas horas e meia em um discurso que prendeu a atenção do plenário lotado. Ele explicou a crononologia dos fatos no dia da morte da menina Isabella e a sequência dos telefonemas ocorridos para comunicar a Polícia e a família de Alexandre Nardoni no momento em que o corpo da criança caiu do sexto andar do prédio e as informações dos telefonemas, todas cruzadas, demonstram que o casal estava no apartamento no momento do crime, disse Cembranelli aos jurados, que não desgrudaram os olhos do promotor, que tem 22 anos de júri e atuação em mais de mil casos. Para o promotor, a tese de uma terceira pessoa na cena do crime não é factível. Ele afirmou que "a inocência do casal seria absurda". cembranelli foi enfátivo ao dizer: "não irei discutir conjecturas, hipóteses, crenças. O que não se pode discutir são fatos. Vou lhes apresentar fatos, embasados com a tecnologia de um dos mais destacados institutos de criminalísticas do mundo, o de São Paulo". Alexandre Nardoni e Anna Jatobá não esboçaram qualquer reação. Na plateia, Rosa Maria Oliveira e o marido, avós maternos de Isabella, choraram. O avô paterno, o advogado Antonio Nardoni, pai de Alexandre, reclamou bastante e escreveu bilhetes, que repassou aos advogados de defesa. O júri retomou com a réplica do promotor, após a exposição do advogado de defesa. Está previsto para o início da madrugada deste sábado o anúncio do veredicto por parte dos 7 jurados. Nós vamos acompanhar e voltaremos sempre dando um resumo dos fatos mais importantes desse julgamento e, com certeza, informando o resultado.

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O julgamento do caso Isabella recomeça nesta sexta-feira às 9h, com os debates entre a acusação e a defesa. A expectativa é que a sessão termine ainda nesta sexta, com o anúncio da sentença. Nos interrogatórios realizados nesta quarta-feira, Anna Carolina Jatobá contradisse o marido na principal prova contra ele apresentada pela perícia. Isso porque, Alexandre Nardoni, ao ser interrogado, negou que colocou a cabeça pelo buraco na tela da janela por onde a filha foi jogada. O ato, segundo a perícia, deixou uma marca na camisa dele, que só seria feita se tivesse carregando um peso de 25kg (peso de Isabella ). Alexandre disse que estava com o filho Pietro no colo, mas negou ter colocado a cabeça para fora. A negativa irritou a acusação. O promotor Francisco Cembranelli chegou a perguntar se a cabeça dele tinha mais de 50 cm, já que o buraco, conforme os autos, tinha 47 cm. "Assim que entramos no quarto eu vi a janela aberta e uma gota de sangue bem próxima da cama do Pietro. O meu marido foi até a janela, colocou a cabeça para fora, virou-se para mim, já branco e disse - Carol, a Isabella está lá embaixo", disse ela. Anna Carolina falou de sua reação: "Comecei a gritar. Não sei se falei palavrões. Só sei que coloquei o joelho na cama e, quando vi a Isabella lá embaixo, comecei a gritar desesperadamente", confirmando que ele estava com Pietro no colo e ela, com Cauã, o mais novo.
Alexandre Nardoni chorou pelo menos três vezes durante o depoimento que presta no Fórum de Santana e afirmou que a acusação contra ele é "falsa e mentirosa". O pai da menina Isabella acusou o delegado Calixto Calil Filho, do 9º Distrito Policial, de ter proposto a ele durante o interrogatório, no dia 18 de abril de 2008 (Isabella foi morta em 29 de março daquele ano), que assinasse um documento assumindo ter cometido homicídio culposo (sem intenção de matar) para que Anna Carolina Jatobá, madrasta de Isabella, fosse inocentada e retirada das investigações. O pai de Isabella diz que foi xingado e humilhado várias vezes por delegados e investigadores ao ser interrogado no 9º Distrito Policial, nos dias seguintes à morte da menina, e que chegaram a jogar objetos em cima dele. Alexandre Nardoni disse que a proposta do delegado, de inocentar a madrasta, foi feita na presença do promotor Francisco Cembranelli e de seus advogados de defesa. O pai de Isabella é interrogado na presença da mãe, Maria Aparecida Nardoni. Desde o início do julgamento, na segunda-feira, esta é a primeira vez que ela comparece ao Tribunal do Júri. Ao começar a sessão, a mãe se aproximou da grade de proteção do plenário e, com um terço na mão, chorando, falou: "Meu filho". Alexandre respondeu com sinal positivo com a cabeça e também chorou. Anna Carolina Jatobá, que não pode ouvir o depoimento do marido, foi retirada da sala. Alexandre Nardoni conseguiu surpreender a plateia - que reagiu com um generalizado "ohhh" - ao afirmar que Rosa Maria Cunha, avó materna de Isabella, tinha pedido que a filha fizesse aborto ao descobrir que ela estava grávida. Segundo ele, Ana Carolina Cunha Oliveira escondeu a gravidez da família até o quarto mês e também discutia com a mãe para levar a gravidez adiante. Em seu depoimento, o pai de Isabella tentou passar a ideia de que a família era feliz. Disse que no sábado em que morreu, Isabella brincou durante todo o dia com os irmãos. Contou que depois de brincar na piscina e no playground, ele, a mulher e as três crianças foram para um supermercado em Guarulhos e que não houve qualquer discussão no carro ao retornar para casa. Ao chegar no apartamento, afirmou, que a porta não estava arrombada. Nardoni disse que testemunhas afirmaram ter ouvido dele que a porta havia sido arrombada, mas que não disse isso em momento algum. Alexandre Nardoni também tentou se defender da acusação da perita Rosângela Monteiro , que afirmou que sua camiseta ficou com marcas da tela por onde Isabella foi jogada e que o vinco só seria feito se ele estivesse carregando um peso de 25 quilos (o peso de Isabella). Nardoni disse que quem estava em seu colo quando ele se aproximou da tela era seu filho Pietro. Segundo o réu, não era possível passar a cabeça pela tela de proteção rasgada, por onde Isabella caiu, nem tampouco os braços, porque o buraco era muito pequeno. Alexandre tentou ainda emocionar os jurados ao relembrar passagens dramáticas. Disse ter ficado transtornado quando a médica da Santa Casa confirmou a morte de sua filha.
